Centro-Oeste - Trens, ferrovias e ferreomodelismo
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Histórico até 1961

Informações mais completas sobre a gênese do Tronco Sul encontram-se no breve histórico deixado pelo cel. Newton Faria Ferreira, comandante do 2º Batalhão Ferroviário de Jun. 1959 a Ago. 1961, transcrito por Edmar César [Batalhão Mauá p. 44-48]; e apenas parcialmente transcrito, sem citação de data ou autoria, pela Revista Ferroviária, a propósito da inauguração do trecho Mafra - Ponte Alta do Norte, sob o título “Sobre o Tronco Principal Sul” [RF Jun. 1963, p. 19-22].

Apenas terminada a EFSPRG em 1910, já em 1916 o Estado Maior do Exército realizou o reconhecimento de uma rota ferroviária paralela, de Rio Negro (PR) a Caxias (RS).

O trabalho prosseguiu com a Inspetoria Federal de Estradas (IFE), que iniciou os estudos em 1919; e em 1921 apresentou projeto e orçamento dessa nova ligação ferroviária, com 763 km.

O trecho foi incluído no PGVN de 1934 como parte do Tronco Meridiano nº 7 (TM-7), ligando o Rio de Janeiro a Porto Alegre.

Os primeiros levantamentos realizados pelo 2º BF a partir de 1938 desaconselharam o traçado projetado em 1921, “pelo vulto dos trabalhos”, e também por não se adequar aos padrões técnicos estabelecidos a partir de 1934.

Os batalhões rodoviários destacados para reforço a partir de 1949 contribuiriam apenas no projeto e construção da infra-estrutura.

Trens turísticos

Trem do Corcovado
São João del Rei
Campos do Jordão
Ouro Preto - Mariana
Trem das Águas
Trem da Mantiqueira
Trem das Termas
Montanhas Capixabas
Barra do Rio Grande
Teleférico de Ubajara

Em projeto

Expresso Pai da Aviação
Trem ecoturístico da Mata Atlântica
Locomotiva Zezé Leone

Antigos trens turísticos

São Paulo - Santos
Cruzeiro - São Lourenço
Trem da Mata Atlântica
Trem dos Inconfidentes
Trem Curitiba - Lapa

Calendário 1987
VFCJ | Bitolinha | Lapa | Inconfidentes | Trem da Serra | Paranapiacaba
  

Trens de passageiros

Vitória - Belo Horizonte
São Luís - Parauapebas

Antigos trens de passageiros

Xangai
Barrinha
Expresso da Mantiqueira
Barra Mansa a Lavras
Trem de Prata
Trem Húngaro
Automotrizes Budd
Litorinas Fiat
Cruzeiro do Sul
Trem Farroupilha
Trem de aço da Paulista

Plataforma de embarque: 1995

Trens turísticos e passeios ferroviários
Trens de passageiros
Museus ferroviários
Maquetes ferroviárias
Eventos

  

Ferreoclipping

• Livro sobre a GWBR em João Pessoa e Recife - 12 Mai. 2016

• Museu Ferroviário de Natal - 25 Abr. 2016

• Passagens e calendário do trem turístico Ouro Preto - Mariana | Percurso - 20 Dez. 2015

• Passagens e descontos do Trem do Corcovado | Onde comprar - 12 Dez. 2015

• EF Campos do Jordão | Horários | Hospedagem - 15 Jul. 2015

  

Ferreofotos

• Alco RSD8 Fepasa - 29 Fev. 2016

• G12 200 Acesita - 22 Fev. 2016

• “Híbrida” GE244 RVPSC - 21 Fev. 2016

• U23C modernizadas C30-7MP - 17 Fev. 2016

• C36ME MRS | em BH | Ferronorte - 14 Fev. 2016

• Carregamento de blocos de granito na SR6 RFFSA (1994) - 7 Fev. 2016

• G12 4103-6N SR6 RFFSA - 6 Fev. 2016

• Toshiba nº 14 DNPVN em Rio Grande - 25 Jan. 2016

• Encarrilamento dos trens do Metrô de Salvador (2010) - 14 Nov. 2015

• Incêndio de vagões tanque em Mogi Mirim (1991) - 9 Nov. 2015

• Trem Húngaro nas oficinas RFFSA Porto Alegre (~1976) - 21 Out. 2015

  

Ferrovias

Os “antigos” trens turísticos a vapor da RFFSA - 21 Nov. 2016

• Estação de Cachoeiro de Itapemirim | Pátio ferroviário (1994) - 28 Fev. 2016

• Caboose, vagões de amônia e locomotivas da SR7 em Alagoinhas (1991) - 25 Fev. 2016

• Locomotivas U23C modificadas para U23CA e U23CE (Numeração e variações) - 17 Fev. 2016

• A chegada da ponta dos trilhos a Brasília (1967) - 4 Fev. 2016

• Livro “Memória histórica da EFCB” - 7 Jan. 2016

• G8 4066 FCA no trem turístico Ouro Preto - Mariana (Girador | Percurso) - 26 Dez. 2015

• Fontes e fotos sobre a locomotiva GMDH1 - 18 Dez. 2015

• Locomotivas Alco RS no Brasil - 11 Dez. 2015

  

Bibliografia

• A Gretoeste: a história da rede ferroviária GWBR - 25 Abr. 2016

• Índice das revistas Centro-Oeste (1984-1995) - 13 Set. 2015

• Tudo é passageiro - 16 Jul. 2015

• The tramways of Brazil - 22 Mar. 2015

• História do transporte urbano no Brasil - 19 Mar. 2015

• Regulamento de Circulação de Trens da CPEF (1951) - 14 Jan. 2015

• Batalhão Mauá: uma história de grandes feitos - 1º Dez. 2014

• Caminhos de ferro do Rio Grande do Sul - 20 Nov. 2014

• A Era Diesel na EF Central do Brasil - 13 Mar. 2014

• Guia Geral das Estradas de Ferro - 1960 - 13 Fev. 2014

• Sistema ferroviário do Brasil - 1982 - 12 Fev. 2014

  

Bibliografia
braziliana

Grande sertão: veredas - 29 Out. 2014

Itinerário de Riobaldo Tatarana - 27 Out. 2014

Notícia geral da capitania de Goiás em 1783 - 26 Out. 2014

Memórias do desenvolvimento - 19 Out. 2014

Preexistências de Brasília - 13 Out. 2014

Viagem pela Estrada Real dos Goyazes - 9 Out. 2014

Francesco Tosi Colombina - 3 Out. 2014

Estrada Colonial no Planalto Central - 27 Set. 2014

A ilha do dia anterior - 18 Set. 2014

Chegou o governador - 12 Set. 2014

Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid - 3 Out. 2013

  

Bibliografia
braziliense

Conterrâneos Velhos de Guerra - roteiro e crítica - 7 Nov. 2014

Como se faz um presidente: a campanha de JK - 21 Ago. 2014

Sonho e razão: Lucas Lopes, o planejador de JK - 15 Ago. 2014

Brasília: o mito na trajetória da Nação - 9 Ago. 2014

Luiz Cruls: o homem que marcou o lugar - 30 Jul. 2014

Quanto custou Brasília - 25 Set. 2013

JK: Memorial do Exílio - 23 Set. 2013

A questão da capital: marítima ou no interior?

No tempo da GEB

Brasília: a construção da nacionalidade

Brasília: história de uma ideia

  
   

Bibliografia: ferrovia e história
Programa da viagem de inspeção do Ministro dos Transportes no
eixo São Paulo - Porto Alegre
26 a 28 de Janeiro de 1981


 
Flavio R. Cavalcanti - 6 Dez. 2014

Programa da viagem de inspeção do Ministro dos Transportes no eixo São Paulo - Porto Alegre
26 a 28 de Janeiro de 1981
RFFSA 1981

Em apenas 16 páginas mimeografadas, formado A4 (só frente), o programa da viagem de inspeção ao Tronco Sul (novo) construído pela Engenharia do Exército guarda alguns registros importantes sobre vários pontos de possível interesse para pesquisa:

  • a construção da historiografia do Tronco Principal Sul (TPS);

  • o estado da obra, 12 anos após a inauguração;

  • características técnicas;

  • material rodante da administração da RFFSA e da Fepasa ;

  • todas as estações do trajeto e as distâncias entre elas, naquele momento.

   
Capa do “Programa da viagem de inspeção do Ministro dos Transportes no eixo São Paulo - Porto Alegre”
Capa do “Programa da viagem de inspeção do Ministro dos Transportes no eixo São Paulo - Porto Alegre”

História

Deixando de lado a menção à guerra contra o Paraguai, aos irmãos Rebouças, e à criação do 1º Batalhão Ferroviário, — que dizem mais respeito às ferrovias estratégicas do litoral para as fronteiras no oeste, do que a esta ligação do Sul ao Sudeste, — a publicação registra que:

  • Tratava-se do Tronco Meridiano nº 7 (TM-7) do Plano Geral de Viação Nacional de 1934, — porém esse plano não é citado [O PGVN foi estudado por uma comissão nomeada pelo ministro da Viação e Obras Públicas, José Américo de Ameida, em Abril de 1931; e aprovado pelo presidente Getúlio Vargas por decreto de Junho de 1934. “Planos de viação: evolução histórica (1808-1973)”. CNT/MT, Rio de Janeiro, 1974].

  • Para sua construção foi criado em 1938 o 2º Batalhão Ferroviário, com sede em Rio Negro (PR); — e o 1º Batalhão Ferroviário foi deslocado de Santiago do Boqueirão (RS) para Bento Gonçalves (RS) em 1943.

  • A construção tomou impulso no pós-guerra, com a liberação das verbas do Plano SALTE, de 1949; — e, para acelerar as obras, em 1950 foram destacadas mais duas unidades do Exército, o 2º e o 3º Batalhão Rodoviário, que se localizaram em Lages e Vacaria.

  • Coube ao Exército a construção dos 630 km entre Mafra e Roca Sales.

  • A infraestrutura foi projetada e construída com gabarito para bitola larga (1,60 m), embora a superestrutura tenha sido implantada com a bitola de 1,00 m, por questões econômicas.

Mapa ferroviário do Tronco Principal Sul em 1981
Mapa ferroviário do Tronco Sul em 1981
   
Características da ferrovia
em planta e perfil
Trecho Raio
mín.
(m)
Rampa
máx.
(%)
Pinhalzinho – Ponta Grossa 404 1,01
Ponta Grossa – Engº Bley 350 1,00
Engº Bley – Mafra 303 1,50
Mafra – Lages 305 1,50
Lages – Roca Sales 305 1,50
Roca Sales – Corvo 500 1,00
Corvo – General Luz 500 1,00

Características da ferrovia

É preciso separar os dados fornecidos nas várias tabelas dessa publicação da RFFSA.

Observe que cada tabela abrange uma extensão diferente, ou com diferentes subdivisões dos trechos.

  • Nas tabelas “Características da ferrovia”, “Grandes obras de arte” e “Densidade de tráfego”, é considerada uma extensão parcial, começando em Pinhalzinho, — início dos trechos da RFFSA, — e terminando em General Luz.

  • Na tabela “Extensão do eixo ferroviário”, considerou-se um “eixo” ferroviário global, de São Paulo a Porto Alegre, — um conceito estratégico ou de planejamento econômico, não uma unidade operacional, na época, em qualquer sentido técnico, empresarial ou administrativo.

Grandes obras de arte
Trecho Túneis Pontes Viadutos Cap.
suporte
Qtd Ext.
total
(m)
Qtd Ext.
total
(m)
Qtd Ext.
total
(m)
Pinhalzinho – Uvaranas 2 611,00 6 838,94 28 671,80 TB-32
Engº Bley – Mafra 2 445,00 18 348,83 - - TB-20
Mafra – Lages 21 9.284,67 10 595,30 2 422,25 TB-22 /
TB-20
Lages – Jaboticaba 44 22.142,00 19 2.941,00 10 1.137,00 -
Jabotiaba – Roca Sales 9 10.629,00 9 835,00 - - -
Roca Sales – General Luz 3 1.203,15 3 110,30 - - TB-20
Mafra – Roca Sales 74 42.055,67 38 4.371,30 12 1.559,25 -

É necessário, portanto, distinguir diferentes ferrovias e diferentes trechos, construídos em épocas diferentes, por diferentes entidades, com diferentes projetos e objetivos, por métodos e sistemas também diferentes, — cada um podendo ter recebido (ou não), mais tarde, sucessivas melhorias em partes de seu traçado.

   
Extensão do eixo ferroviário
São Paulo – Porto Alegre
Trecho Ferrovia Ext.
(km)
São Paulo – Itapeva Fepasa 339
Itapeva – km 341 Fepasa 4
km 341 – Pinhalzinho Fepasa 83
Pinhalzinho – Ponta Grossa RFFSA – SR-5 126
Ponta Grossa – Engº Bley RFFSA – SR-5 80
Engº Bley – Mafra RFFSA – SR-5 64
Mafra – Lages RFFSA – SR-5 293
Lages – Montenegro RFFSA – SR-6 370
Montenegro – General Luz RFFSA – SR-6 25
General Luz – Canoas RFFSA – SR-6 21
Canoas – Porto Alegre RFFSA – SR-6 13
Soma 1.418

O trecho de Ponta Grossa a Engenhero Bley fazia parte do tronco leste-oeste, — do interior do Paraná para o porto de Paranaguá, — com características voltadas para o tráfego concentrado de exportação, proveniente de várias linhas a oeste.

O trecho de Pinhalzinho a Ponta Grossa tinha sua própria lógica, de intercâmbio com São Paulo. A capacidade de suporte das pontes e viadutos para 32 toneladas por eixo seria um erro de datilografia?

O trecho de Engenheiro Bley a Mafra também tinha sua lógica própria, de intercâmbio com a linha de São Francisco (SC).

Enfim, o trecho de Roca Sales a Porto Alegre tinha sua própria lógica como parte da “Ferrovia do Trigo” — coisa que fica escamoteada, quando se computa a densidade de tráfego de um trecho bem mais abrangente, de Lages a General Luz, sem distinguir o que fazia parte, também, de outras rotas econômicas.

Mafra a Roca Sales

O trecho de Mafra (SC) a Roca Sales (RS) foi o que, de fato, veio ligar todos os demais trechos, e constituir o conjunto em um “tronco ferroviário”, reunindo objetivos estratégicos e de integração econômica interregional.

   
Densidade de tráfego
Trecho Dist.
km
Mil TKU / km
1978 1979 1980
Pinhalzinho – Ponta Grossa 129 446 804 948
Ponta Grossa – Engº Bley 80 3.431 4.340 5.021
Engº Bley – Mafra 64 1.036 1.414 1.668
Mafra – Lages 293 809 967 1.131
Lages – General Luz 395 482 987 1.150

Tratava-se do trecho mais pesado, — a ser construído “pelo alto da serra”, — e o de menor retorno econômico em nível puramente local, como nota Goularti Filho [“Ferrovia no planalto catarinense: um território de passagem”. Alcides Goularti Filho. II Encontro de Economia Catarinense, Chapecó (SC), Abril 2008].

O conjunto dessas três características, — interesse estratégico, construção onerosa e ausência de interesse econômico local, — pode ter sido determinante para a entrega da obra ao Exército.

Ao “decretar” o primeiro Plano Geral de Viação Nacional, com apenas 3 assinaturas ministeriais, em Junho de 1934, o governo “provisório” liderado por Getúlio Vargas já dependia bastante do apoio militar, embora ainda com ampla margem de manobra entre diferentes linhas de pensamento, — os ex-“tenentes” e a alta oficialidade, por exemplo, — e as mais variadas correntes civis, classes econômicas e interesses regionais. Antecipava-se, em 2 semanas, à Constituição de 1934, em vias de ser promulgada no mês seguinte.

  
Pontos do Tronco Sul
com problemas de infraestrutura a serem observados
Trecho Posição (km) Obs.
Pinhalzinho – Francisco Simas 378 + 385 Aterro
Pinhalzinho – Francisco Simas 314 + 855 Aterro
Santa Quitéria – Maracanã 314 + 300 Aterro
Uvaranas – Desvio Ribas 225 Corte
Pátio km 200 – Engº Bley 198 + 400 Corte
Pátio km 200 – Engº Bley 196 + 210 Corte
Pátio km 200 – Engº Bley 196 + 050 Corte
Engº Bley – Lapa 17 + 500 Corte
Arigolândia – Minhocão 118 Aterro
São Felipe – Lombas 236 Aterro
São Felipe – Lombas 239 Aterro
Lombas – Canoas 248 Aterro
Bandeirantes – Invernadinha 275 Corte recuperado pelo BF
Invernadinha – Lages 285 Corte recuperado pelo BF
Ferradura – Cel. Kelvin 139 Aterro recuperado pela SR-5
Cel. Kelvin – Buarque 145 Aterro
Lages – Sgt. Queiroz 384 Corte
Lages – Sgt. Queiroz 375 Britador
Lages – Sgt. Queiroz 330 Túnel
Sgt. Queiroz – Escurinho 324 Aterro
São João – Jaboticaba 172 Corte
São João – Jaboticaba 162 Corte

Maior influência militar no governo Vargas, — agora, concentrada na alta oficialidade, e com Góis Monteiro na chefia do Estado Maior do Exército desde Julho de 1937, — passou a existir durante o “Estado Novo”, quando foi criado o 2º Batalhão Ferroviário, a ser localizado em Rio Negro, com a missão específica de traçar e construir o trecho estratégico mais difícil, mais oneroso e de menor atratividade econômica imediata.

Crise mundial

Vale lembrar que toda a década de 1930 transcorreu sob os efeitos do “crash” da Bolsa de Nova Iorque de 1929, que lançou o mundo inteiro em profunda crise econômica, só superada com o engajamento das indústrias na produção para a II Guerra Mundial (1939-1945).

Durante os 10 anos da crise mundial, o Brasil ficou sem as altas cotações do café, até então sua principal fonte de divisas. Durante a II Guerra, que se seguiu, exportava para receber ao final da guerra, e sem poder importar livremente os equipamentos de que precisasse, devido às restrições à exportação nos países industrializados.

Com uma estrutura econômica primária, obsecada pela monocultura, o Brasil dependia dessas exportação de produtos primários para importar tratores, caminhões, e até os derivados de petróleo para fazê-los trabalhar numa obra desse porte, — para não falar dos trilhos, ou mesmo de coisas como uma perfuratriz, uma calculadora mecânica, um aparelho de telégrafo, ou um gerador de eletricidade, por exemplo.

Sem grandes receitas de exportação, e num quadro de crise econômica mundial, também não havia como recorrer a empréstimos do exterior — o que se reflete no lento avanço da construção de ferrovias no país de 1931 a 1945.

Países engolidos

Para compreender o contexto das preocupações estratégicas da década de 1930, é preciso lembrar, também, o turbilhão político em que países com governo “forte”, — fenômeno que não se limitava ao chamado “eixo” nazi-fascista, — anexavam regiões dos países vizinhos e, com frequência, os próprios países vizinhos, para não falar de colônias países e frágeis em outras partes do mundo [ver “Nações e nacionalismo desde 1780” e “A era dos extremos: o breve século XX”, de Eric J. Hobsbawm].

Para isso, os chamados governos “fortes” preocupavam-se, não apenas, em armar e treinar seus exércitos, mas também em produzir “nacionalismo” pelo rádio e pelas escolas; controlar “minorias” étnicas e migrações; e implantar ferrovias e autoestradas de alto padrão para “amarrar” as diversas regiões reunidas dentro de seus territórios.

Era a época da “geopolítica”, por excelência, — e também de um estreitamento do casamento entre os Estados nacionais e suas indústrias e empreiteiras: o “poder nacional” se industrializava como nunca. Não se podia imaginar um Estado “forte” sem produção local de armas cada vez mais sofisticadas, munição e combustíveis, — o que implicava em siderurgia e indústrias química e automobilística, por exemplo, — além de alimentos para a população e as tropas; e ocupação humana e econômica de todas as suas regiões, em especial as de fronteira.

É nesse contexto que dois vizinhos, entre os países mais pobres da América do Sul, — Paraguai e Bolívia, — prestavam-se a campo de prova da mais avançada tecnologia militar, a blitzkrieg com apoio da aviação, na chamada Guerra do Chaco (1932-1935), sob o patrocínio de empresas petrolíferas e missões militares estrangeiras; e a elite de São Paulo realizava um levante com fortes traços de ideologia separatista, numa demonstração de poderio bélico e de um “nacionalismo” estadual, à parte do restante do país.

É comum citar-se a preocupação com uma eventual guerra nas fronteiras do Sul, entre as motivações estratégicas desse tronco ferroviário do Rio de Janeiro a Porto Alegre, — mas seria irreal deixar de notar sua importância para o avanço de tropas do Sul em direção a São Paulo, como em 1930 e 1932, experiências recentíssimas.

Ora, a EFSPRG — o tronco sul “antigo” — permanecia sob ocupação militar federal desde 1930 e, mesmo assim, o Estado Maior do Exército considerava indispensável e urgente iniciar a construção de um novo Tronco Sul, não importando o tamanho da crise econômica.

Nada de melhorar a EFSPRG — através de regiões já ocupadas e produtivas — construindo uma variante após outra, e cada uma das quais começaria a dar retorno imediato, enquanto se passasse à implantação da variante seguinte.

Apenas uma nova linha tronco, — por cima da serra mais acidentada, nada menos, — parecia capaz de atender aos anseios estratégicos da alta cúpula militar.

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O Tronco Sul novo
Origens | Cronologia | Obras 1967 | Inauguração 1969 | Mapa 1970 | Inspeção 1981
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EF SP-RG : Tronco Sul : ALL
A ferrovia no Contestado | Mapa e cronologia | Caboose EFSPRGS
Uma viagem de férias (1929) | Da Argentina a São Paulo por trem (1959) | O trem bananeiro
Estações em 1960 | Abertura dos trilhos até 1944 | 1907
Origens do Tronco Sul
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A primeira estação | Traçados antigos e atuais | A “mancha ferroviária”
Bibliografia | Preserve | O plano estratégico | Lei nº 2.397
Planos ferroviários
1835: Plano Vasconcelos | 1838: Plano Rebelo | 1859: Plano Ottoni | 1869: Plano Morais | 1871: Carta itinerária | 1973: Plano Ewbank | 1874: Plano Ramos de Queiroz | 1874: Plano Rebouças | 1881: Plano Bicalho | 1882: Plano Bulhões | 1882: Plano Ramos de Queiroz (II) | 1886: Plano Rodrigo Silva | 1890: Plano da Commissão | 1912: Plano da Borracha | 1926: Plano Baptista | 1926: Plano Pandiá Calógeras | 1927: Plano Paulo de Frontin | 1932: Plano Souza Brandão | 1934: Plano Geral de Viação Nacional | 1947: Plano Jaguaribe | 1951: Plano Nacional de Viação | 1955: Comissão Pessoa | 1956: Plano Ferroviário Nacional | 1964: Plano Nacional de Viação | 1973: Plano Nacional de Viação
As ferrovias construídas (Dez. 2004) | PAC (Mar. 2009)
Legislação | Brasília nos planos ferroviários
   

Ferreofotos

• Alco RSD8 Fepasa - 29 Fev. 2016

• G12 200 Acesita - 22 Fev. 2016

• “Híbrida” GE244 RVPSC - 21 Fev. 2016

• U23C modernizadas C30-7MP - 17 Fev. 2016

• C36ME MRS | em BH | Ferronorte - 14 Fev. 2016

• Carregamento de blocos de granito na SR6 RFFSA (1994) - 7 Fev. 2016

• G12 4103-6N SR6 RFFSA - 6 Fev. 2016

• Toshiba nº 14 DNPVN em Rio Grande - 25 Jan. 2016

• Encarrilamento dos trens do Metrô de Salvador (2010) - 14 Nov. 2015

• Incêndio de vagões tanque em Mogi Mirim (1991) - 9 Nov. 2015

• Trem Húngaro nas oficinas RFFSA Porto Alegre (~1976) - 21 Out. 2015

  

Ferrovias

Os “antigos” trens turísticos a vapor da RFFSA - 21 Nov. 2016

• Estação de Cachoeiro de Itapemirim | Pátio ferroviário (1994) - 28 Fev. 2016

• Caboose, vagões de amônia e locomotivas da SR7 em Alagoinhas (1991) - 25 Fev. 2016

• Locomotivas U23C modificadas para U23CA e U23CE (Numeração e variações) - 17 Fev. 2016

• A chegada da ponta dos trilhos a Brasília (1967) - 4 Fev. 2016

• Livro “Memória histórica da EFCB” - 7 Jan. 2016

• G8 4066 FCA no trem turístico Ouro Preto - Mariana (Girador | Percurso) - 26 Dez. 2015

• Fontes e fotos sobre a locomotiva GMDH1 - 18 Dez. 2015

• Locomotivas Alco RS no Brasil - 11 Dez. 2015

  

Bibliografia

• A Gretoeste: a história da rede ferroviária GWBR - 25 Abr. 2016

• Índice das revistas Centro-Oeste (1984-1995) - 13 Set. 2015

• Tudo é passageiro - 16 Jul. 2015

• The tramways of Brazil - 22 Mar. 2015

• História do transporte urbano no Brasil - 19 Mar. 2015

• Regulamento de Circulação de Trens da CPEF (1951) - 14 Jan. 2015

• Batalhão Mauá: uma história de grandes feitos - 1º Dez. 2014

• Caminhos de ferro do Rio Grande do Sul - 20 Nov. 2014

• A Era Diesel na EF Central do Brasil - 13 Mar. 2014

• Guia Geral das Estradas de Ferro - 1960 - 13 Fev. 2014

• Sistema ferroviário do Brasil - 1982 - 12 Fev. 2014

  

Ferreomodelismo

• Luzes de 0,5 mm (fibra ótica) - 2 Jun. 2016

• Vagão tanque TCQ Esso - 13 Out. 2015

• Escalímetro N / HO pronto para imprimir - 12 Out. 2015

• Carro n° 115 CPEF / ABPF - 9 Out. 2015

• GMDH-1 impressa em 3D - 8 Jun. 2015

• Decais para G12 e C22-7i MRN - 7 Jun. 2015

• Cabine de sinalização em estireno - 19 Dez. 2014

• Cabine de sinalização em palito de fósforo - 17 Dez. 2014

• O vagão Frima Frateschi de 1970 - 3 Jun. 2014

• Decais Trem Rio Doce | Decais Trem Vitória-Belo Horizonte - 28 Jan. 2014

• As locomotivas Alco FA1 e o lançamento Frateschi (1989) na RBF - 21 Out. 2013

• A maquete do Trem turístico Ouro Preto - Mariana (Trem da Vale) - 12 Out. 2013

  

Bibliografia
braziliana

Grande sertão: veredas - 29 Out. 2014

Itinerário de Riobaldo Tatarana - 27 Out. 2014

Notícia geral da capitania de Goiás em 1783 - 26 Out. 2014

Memórias do desenvolvimento - 19 Out. 2014

Preexistências de Brasília - 13 Out. 2014

Viagem pela Estrada Real dos Goyazes - 9 Out. 2014

Francesco Tosi Colombina - 3 Out. 2014

Estrada Colonial no Planalto Central - 27 Set. 2014

A ilha do dia anterior - 18 Set. 2014

Chegou o governador - 12 Set. 2014

Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid - 3 Out. 2013

  

Trens turísticos

Trem do Corcovado
São João del Rei
Campos do Jordão
Ouro Preto - Mariana
Trem das Águas
Trem da Mantiqueira
Trem das Termas
Montanhas Capixabas
Barra do Rio Grande
Teleférico de Ubajara

Em projeto

Expresso Pai da Aviação
Trem ecoturístico da Mata Atlântica
Locomotiva Zezé Leone

Antigos trens turísticos

São Paulo - Santos
Cruzeiro - São Lourenço
Trem da Mata Atlântica
Trem dos Inconfidentes
Trem Curitiba - Lapa

Calendário 1987
VFCJ | Bitolinha | Lapa | Inconfidentes | Trem da Serra | Paranapiacaba
  

Trens de passageiros

Vitória - Belo Horizonte
São Luís - Parauapebas

Antigos trens de passageiros

Xangai
Barrinha
Expresso da Mantiqueira
Barra Mansa a Lavras
Trem de Prata
Trem Húngaro
Automotrizes Budd
Litorinas Fiat
Cruzeiro do Sul
Trem Farroupilha
Trem de aço da Paulista

Plataforma de embarque: 1995

Trens turísticos e passeios ferroviários
Trens de passageiros
Museus ferroviários
Maquetes ferroviárias
Eventos

  

Ferreoclipping

• Livro sobre a GWBR em João Pessoa e Recife - 12 Mai. 2016

• Museu Ferroviário de Natal - 25 Abr. 2016

• Passagens e calendário do trem turístico Ouro Preto - Mariana | Percurso - 20 Dez. 2015

• Passagens e descontos do Trem do Corcovado | Onde comprar - 12 Dez. 2015

• EF Campos do Jordão | Horários | Hospedagem - 15 Jul. 2015

  

Bibliografia
braziliense

Conterrâneos Velhos de Guerra - roteiro e crítica - 7 Nov. 2014

Como se faz um presidente: a campanha de JK - 21 Ago. 2014

Sonho e razão: Lucas Lopes, o planejador de JK - 15 Ago. 2014

Brasília: o mito na trajetória da Nação - 9 Ago. 2014

Luiz Cruls: o homem que marcou o lugar - 30 Jul. 2014

Quanto custou Brasília - 25 Set. 2013

JK: Memorial do Exílio - 23 Set. 2013

A questão da capital: marítima ou no interior?

No tempo da GEB

Brasília: a construção da nacionalidade

Brasília: história de uma ideia

  

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