Estrada de Ferro de Catalão a Palma (Paranã) no Plano ferroviário do início da República
EF Catalão a Palma no Plano da Comissão

Estrada de Ferro Goiás - 1890
Concessão da República

Flavio R. Cavalcanti - 30 Jul. 2018

A concessão que deu origem à “Estrada de Ferro Goiás” foi parte integrante do “Plano da Comissão” (1890), elaborado nos primeiros 14 meses da República para ligar todas as regiões do Brasil pelo interior, — unindo-as em torno do “Planalto Central”.

Tratava-se da Estrada de Ferro de Catalão a Palma, — ferrovia de sentido geral sul / norte, para ligar Catalão, na bacia do rio Paranaíba, à cidade de Palma [atual Paranã], no alto Tocantins, — de modo a colocar a Amazônia em comunicação com o Centro-Sul, sem dependência da navegação oceânica ao redor de todo o litoral.

Até Catalão deveriam chegar os trilhos da CMEF e da EFOM.

Outra ferrovia, no sentido geral leste / oeste, partiria de Catalão para a cidade de Goiás [então capital do estado] e dali para Cuiabá, até a fronteira com a Bolívia, no extremo Oeste.

As duas ferrovias – em conjunto com a navegação dos rios Araguaia e Tocantins – dariam início à “comunicação” regular entre o “sul” e o “norte” do país, pelo interior.

Isto criaria um entroncamento ferroviário nas proximidades da planejada capital da República, — a ser construída no “Planalto Central” — colocando-a em "comunicação" com o "sul", com o "norte" e com o "oeste".

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O anti-plano

Em vários desses aspectos, fica marcada a oposição entre o “Plano da Comissão” (1890) e o que se poderia chamar de “Plano Silva” (1886).

O “Plano Silva” propunha centralizar a viação geral do país em São Paulo.

Para ir do Rio de Janeiro a Belém do Pará, por exemplo, “bastaria” dirigir-se do Rio a São Paulo, dali a Campinas, trocar de bitola e embarcar num trem da Mogiana — à qual caberia atravessar o Triângulo Mineiro, o sul de Goiás, e atingir o rio Araguaia, cumprindo assim uma função de “viação geral” por meio de uma montagem que incluía retalhos de concessões “provinciais”.

No “Plano da Comissão” (1890) ficava implícito o cancelamento ou caducidade da concessão goiana — bem como qualquer garantia da época do Império — para a Mogiana estender seus trilhos até “Jurupensen”, no rio Araguaia.

De fato, a Mogiana não estendeu seus trilhos, sequer, até Catalão, — o que deixava isolado o ponto inicial da Estrada de Ferro Catalão a Palma — até que ali chegassem os trilhos da EFOM.

Daí, as sucessivas prorrogações de prazo e alterações do ponto inicial, recuando inicialmente para Araguari (onde a Mogiana estacionou definitivamente); — depois, até Formiga (onde estacionava a EF Oeste de Minas); — e mais tarde tornando a avançar de Formiga para Catalão.

A sempre renovada batalha pela ferrovia para Cuiabá — que acabou se transformando numa ferrovia leste-oeste, com nome de “Noroeste”, partindo do estado de São Paulo e tomando rumo inteiramente diferente da capital matogrossense — deixou à EFG a herança de dirigir-se, não mais ao alto Tocantins, mas ao rio Araguaia (embora com previsão de um ramal).

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Navegação

Nas origens históricas da Estrada de Ferro Goiás, como se vê, esteve sempre a perspectiva de interligação das demais regiões do Brasil através do Planalco Central, — associada à navegação regular dos rios Tocantins e Araguaia — cujas cachoeiras deveriam ser contornadas por meio de ferrovias laterais, como a Estrada de Ferro Tocantins, enquanto não se fizessem obras de plena navegação, como eclusas e canais:

  • Plano Moraes (1869), — referência de rios navegáveis ou passíveis de desimpedimento por obras de engenharia;
  • Concessão (+/-1871) de ferrovia Goiás - Araguaia;
  • Proposta do Plano Silva (1886), de estender a Mogiana até Jurupensen (GO), no rio Araguaia.

Mapa (no alto) - Traçado geral das estradas de ferro de Catalão a Palma (EF Goiás); e de Catalão a Cuiabá, do Plano da Comissão (1890). O mapa é apenas esquemático, sem base nos levantamentos de campo realizados mais tarde pela companhia (Catalão-Palma), pela Comissão Cruls (Catalão-Cuiabá) ou pelo Exército.

Foram omitidas do mapa, — para não ficar muito confuso:

  • Linha de Uberaba a Coxim (MT), — nunca construída, — mas cuja concessão jamais foi declarada caduca;
  • Linha da EFCB — que tinha planejamento “próprio” — não citada no Plano de Comissão (1890);
  • Navegação da Bacia do Prata.

Vale frisar que o "Retângulo Cruls", com área três vezes maior (14,4 mil km²) que a do atual Distrito Federal (5,1 mil km²), estendia-se mais a oeste, até os Pireneus, incluindo portanto Corumbá de Goiás; e até mais ao sul, incluindo Luziânia (então chamada Santa Luzia). Porém não havia indicação de a nova capital ser atravessada por um ou mais troncos ferroviários. Os estudos, relatórios etc. faziam menção apenas a um "ramal" para atender à cidade. O desenvolvimento comercial e industrial deveria ocorrer nas regiões em torno dela.

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Estação ferroviária de Goiânia
Estação de Goiânia

EF Goiás

Antecedentes
EF Catalão a Palmas
Cia. Alto Tocantins
EF de Goiás
Logística de Brasília
4º trem experimental para Brasília
Chegada dos trilhos a Brasília
• xx

Mapas

1927
1954
1960
1965
1970
1984
1991

Goiânia

• Mudancismo
• Construção
• Inauguração

Locomotivas

Henschel 2-8-8-4
Rio Negro nº 1 Batalhão Mauá

Documentos

Histórico oficial até 1908
Contrato de 1907
Transferência do trecho Formiga-Arcos

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Brasília nos planos ferroviários (DF)
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