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Locomotivas Davenport da
Viação Férrea Federal Leste Brasileiro

Alexandre Santurian — Centro-Oeste n° 85 (1°-Dez-1993)
Desenho da locomotiva Davenport

Em 1935 a Compagnie de Chemins de Fer Fédéraux de l'Est Brésilien — empresa de capital franco-belga que explorava as principais linhas férreas do Estado da Bahia — foi encampada pelo governo federal e surgiu assim a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro — VFFLB.

Esta procurou levar a cabo uma série de projetos de recuperação e empedramento da via permanente, construção de novas estações, caixas d'água para o abastecimento das locomotivas a vapor, recuperação e ampliação das oficinas, depósitos e estações, construção de casas para os agentes de estação e pessoal de conservação da via permanente.

Em 1938 foi iniciada a duplicação da linha-tronco até o subúrbio de Paripe, cujas obras foram terminadas no final dos anos 40.

Também foi construída a grande ponte de Passagem, sobre a baía de Aratu, com 678 metros de extensão, substituindo a variante que lá existia.

Foi projetada a ponte de São João, de 540 metros de extensão, sobre a enseada dos Cabritos, no subúrbio de Salvador, concluída em 1952, substituindo a variante de 3 km que contornava aquele local, visto que a antiga ponte de Itapagipe, construída pelos ingleses em 1860, não apresentava condições de segurança para o tráfego dos trens

Já no início dos anos 40, a VFFLB estudava as possibilidades de eletrificar sua linha-tronco de Salvador a Alagoinhas e de Mapele a Conceição de Feira, num total de aproximadamente 230 km, para aproveitar os lençóis petrolíferos do subsolo do Recôncavo Baiano e as jazidas de gás natural da região de Aratu na geração de energia elétrica para as subestações projetadas. Este projeto foi levado adiante, as obras foram iniciadas em novembro de 1948 e quase totalmente encerradas em 1954.

Neste meio tempo, a Leste Brasileiro introduziu, no ano de 1938, as primeiras locomotivas diesel-elétricas a rodar no Brasil, que foram três unidades adquiridas a The English Electric Co., Inglaterra, seguidas em 1940-42 de três pequenas manobreiras Davenport de 25 ton e, entre 1943-44, de oito locos Davenport de 44 ton.

A idéia da VFFLB era substituir, aos poucos, a tração a vapor da região do Recôncavo Baiano, aumentar a eficiência do transporte ferroviário nesta região, de maior demanda, e deixar as locos a vapor para as áreas mais distantes do Estado e que ficavam mais próximas das regiões produtoras de lenha, diminuindo assim os gastos com o transporte deste combustível para uso da linha-tronco.

  
Características das Davenport B-B
Modelo
8-44
Fabricante Davenport Locomotive Works, divisão da Davenport Besler Corporation, Davenport, Iowa, Estados Unidos.
Quantidade recebida
8
Ano de fabricação
1943
Recebimento pela VFFLB
3 em 1943 e 5 em 1944
Mês e ano de entrada em serviço
1944/Jan n°s 603, 604, 605
1944/Abr n°s 607, 608
1944/Mai n°s 606, 609
1944/Jun n° 610
Todas foram montadas em Salvador pelos técnicos e operários do depósito da Calçada
Peso em ordem de marcha
44.000 kg
Peso aderente
44.000 kg
Peso por eixo
11.000 kg
Esforço de tração
7.000 kg
Força no engate
5.640 kg
Velocidade máxima
35 km/h
Raio de inscrição mínimo
32 m
Freio
ar comprimido
Tipo
14-EL
Fabricante
Wabco
Dimensões
Distância entre engates
10,3505 m
Base rígida de cada truque
2,1336 m
Distância entre centros de truques
5,0292 m
Altura do centro dos engates
0,6825 m
Largura total
2,742 m
Bitola
1,00 m
Altura total
3,7147 m
Altura da plataforma
1,35 m
Motores diesel
Fabricante
Caterpillar
Modelo
D-17000
N° de motores
2
Potência nominal
180 HP cada
total: 360 HP
Rotação
1.000 rpm
Compressor
Tipo
CY4
Fabricante
Wabco
Óleo lubrificante
71-TS
Truques
Tipo
GSC
Disposição
B-B
Diâmetro das rodas
0,8382 m (33 polegadas)
Bateria
Fabricante
Nife
Tipo
2RL-88
Tensão
24 V
Solução
(KOH) alcalina
Gerador de tração:
Modelo
184-E8
Fabricante
Wabco
Potência nominal
2 x 170 HP
Classificação:
Gerador
DC
Rotação
1.200 rpm
Tensão máxima
800 V
Ampéres máximo
425 A
Campo Shunt
30 A
Motores de tração:
Modelo
908 G-2
Fabricante
Wabco
Classificação:
Motor
DC
Enrolamento
em série
N° de polos
4
Relação de transmissão
75:13
Locomotivas da VFFLB em 31 Dez. 1944
Numeração Tipo Rodagem Qtd.
VFF Leste Brasileiro
3 Centiped
2-4-0
1
8 e 9 Prairie
2-6-2
2
10 Six Wheeler
0-6-0
1
12 Mogul
2-6-0
1
15 e 16 American
4-4-0
2
5 e 21 a 25 Atlantic
4-4-2
6
50 a 53 Automotriz
B-B
4
100-109 / 111-120 Consolidation
2-8-0
20
200 a 279 Ten Wheeler
4-6-0
80
300 a 305 Pacific
4-6-2
6
400 a 406 Mikado
2-8-2
7
500 a 506 Mountain
4-8-2
7
600 a 602 (D. Elét) English Electric
1-B-B-1
3
603 a 610 (D. Elét) Davenport
B-B
8
700 a 702 (D. Mec.) Davenport
1-B-1
3
703 a 704 (D. Mec.) Brookville
B
2
EF Petrolina a Teresina
1 Torney Coupled
 
1
2 Tanque
0-4-2
1
11 Mogul
2-6-0
1
17 e 18 American
4-4-0
2
282 a 284 Ten Wheeler
4-6-0
3
EF Santo Amaro
4, 6 e 7 Coupled
 
3
280 e 281 Ten Wheeler
4-6-0
2
TOTAL
166
Das quais 60 estavam em bom estado, 44 em estado regular, 33 em mau estado, 24 em reparos e 5 aguardando reparos
 

As locomotivas a vapor sofriam, àquela época, considerável perda de eficiência devido ao uso de lenha inadequada nas caldeiras, de baixo teor calorífico, a despeito dos esforços efetuados por parte da administração da ferrovia em ampliar as oficinas e depósitos e dotá-las com máquinas e ferramentas mais eficientes. Vale a pena lembrar que a rotunda do depósito da Calçada, em Salvador, foi ampliada e modernizada em 1941.

Carros e vagões

No período de 1936 a 1944, construíram-se nas oficinas da Leste Brasileiro cerca de 76 carros de passageiros, dos quais 69 em Aramari, 3 em Periperi e 4 em São Félix.

No mesmo período construíram-se na Bahia 138 vagões de carga, sendo 131 nas oficinas de Aramari, 6 em Periperi e 1 no depósito da Calçada.

Em 1944/Dez/31 existiam na Bahia 2.209,131 km de ferrovias em tráfego (incluindo ramais e sub-ramais) e mais 126,209 km de desvios e triângulos de reversão.

Pintura

De acordo com dois antigos ferroviários que ainda trabalham nas oficinas Oswaldo Rios, em Alagoinhas (Humberto e José Hipólito) as locos Davenport B-B tinham as seguintes pinturas, alternadas:

  • Azul claro nas laterais até a altura dos pega-mãos e cinza claro na parte de cima

  • Toda azul claro ou toda cinza claro com logotipo LB entrelaçado

  • Esquema vermelho e amarelo da RFFSA até sua baixa

   

Não consegui saber ao certo até quando as locomotivas Davenport B-B estiveram em serviço. Entretanto, a relação de plantas da RFFSA / 4ª Divisão Leste ainda mostrava 7 destas locos em 1975/Abril (n°s 603 a 609). Infelizmente, nenhuma destas locomotivas foi preservada e todas foram sucateadas.

Bibliografia

  • Características das Locomotivas Elétricas, Diesel-Elétricas e Multiple Unit Cars, RFFSA / 4ª Divisão "Leste", 1975/Abril.
  • VFFLB, Relatórios dos Exercícios de 1943 e 1944, Tipografia da Leste, Salvador, 1944/Mar e 1945/Mar.
  • Cópia da pág. 342 do catálogo da Hitchcock Publishing Co., Chicago, USA, 1945, sobre a Davenport Locomotive Works, fornecida por Márcio Hipólito, São Paulo.
  
Carros da VFFLB
em 1944/Dez/31
Espécie Série Qtd
Administração
A
13
Dormitórios
D
12
Restaurante
R
17
1ª Classe
B
59
2ª Classe
C
79
Misto
BC
10
Chefe de trens
E
46
2ª e Chefe de trens
CE
6
TOTAL
242
Dos quais 205 em serviço e 37 em reparos
  • Model Railroader Cyclopedia Volume 2 — Diesel Locomotives, Kalmbach Publishing Co., Waukesha, WI, USA, 1989 (4ª edição).
  
Vagões da VFFLB
em 1944/Dez/31
Espécie Série Qtd.
Frigoríficos
F
1
Para canas
K
73
Plataforma
L
202
Fechados
M
505
Gaiolas
G
87
Bordas altas / baixas
O
202
Para pedras
P
60
Para sal
S
20
Tanques
V
58
Para inflamáveis
X
27
Guindastes
Y
5
Autos de linha
AL
3
TOTAL
1243
Dos quais 1139 em serviço e 104 em reparos
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