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Locomotiva Baldwin AS-616

Baldwin AS-616 nas ferrovias brasileiras

Texto, fotos e plantas de Fábio Dardes — Centro-Oeste nº 20 (março-1987)

Sem dúvida alguma, as locomotivas Baldwin predominaram no Brasil durante a era do vapor, e tudo indicava que este predomínio iria persistir nas locomotivas diesel. Contudo, isso efetivamente não ocorreu, pois elas foram suplantadas pelas Alco, GM e GE, e isso se deve basicamente à padronização dos equipamentos e métodos de produção.

No Brasil tivemos 82 locomotivas diesel-elétricas de fabricação Baldwin:

  • 5 AS-616E da RVPSC
  • 20 AS-616E da EFCB
  • 12 AS-616 da EFCB
  • 15 Baldwin-Whitcomb (center-cab) da EFS
  • 30 Baldwin-Whitcomb (end-cab) da Cearense

Neste artigo vamos tratar da AS-616, que foi uma locomotiva muito peculiar, sendo considerada uma das melhores de sua classe.

Diferenças básicas externas
Tipo
AS-616E
AS-616
Bitola
1,0 m
1,6 m
Freio dinâmico
Nariz longo
Nariz curto
Truque
Equalizado invertido
(Trimount Type & Floating Bolster)
Equalizado normal (Trimount Type & Normal)
Cabine
Perfil rebaixado
Perfil normal
Chassi
Com alívio de peso
Normal
Diâmetro
das rodas
36''
40''
Tanque de combustível
4.914 litros
7200 litros
  
Características Técnicas
Tipo
AS-616E
AS-616
Bitola
1,0 m
1,6 m
Classe
C-C
C-C
Peso total
100 ton
148 ton
Motor diesel
B-L-H 608A Turboalimentado
Potência
1.600HP
1.600HP
Motor de tração
563A
370 DEZ
Gerador
471 BZ
471 BZ
Relação de engrenagens
79:16:00
63:15:00
Capacidade máxima de tração
17.014 kg a 20 km/h
32.950 kg a 11,2 km/h

As AS-616 são do tipo "heavy road switchers" — ou seja, foi projetada para serviços de linha e de manobras.

O equipamento elétrico era de fornecimento da Westinghouse, tanto o gerador de tração como os motores de tração.

Todas vieram equipadas com MU (tração múltipla) para acoplamento de até 3 unidades.

Ela detém o privilégio de ser a primeira máquina com truque "C", para serviços de linha, juntamente com a Alco-GE de 1.600 HP (tipo híbrida, parte mecanica Alco e parte elétrica GE), tanto em bitola métrica como larga.

Possuímos 2 versões da AS-616, uma para bitola de 1,6 m e outra para 1,0 metro. Em termos de potência são idênticas, mas externamente possuem diferenças significativas (Foto 4 e Foto 2).

Numeração das AS-616 e AS-616E no Brasil
Ferrovia original
N° da Ferrovia
N° de Fábrica
Data de Fabricação

RFFSA

EFS
N° Fepasa

DVE
N° CBTU
Notas
EFCB
3371
75725
jun-1952
3371
 
 
 
 
1
EFCB
3372
75726
jun-1952
3372
 
 
3372
 
1, 5
EFCB
3373
75727
jul-1952
3373
 
 
3373
 
1, 5, 7
EFCB
3374
75728
ago-1952
3374
 
 
3374
 
1, 5
EFCB
3375
75729
out-1952
3375
 
 
3375
 
1, 5, 9
EFCB
3376
75730
out-1952
3376
 
 
 
 
1
EFCB
3377
75731
out-1952
3377
 
 
 
 
1
EFCB
3378
75732
out-1952
3378
 
 
3378
 
1, 5
EFCB
3379
75733
nov-1952
3379
 
 
3379
 
1, 5
EFCB
3380
75734
nov-1952
3380
 
 
3380
999
1, 5, 6, 9
EFCB
3381
75735
dez-1952
3381
 
 
 
 
1
EFCB
3382
75736
dez-1952
3382
 
 
 
 
1
EFCB
4371
75737
jan-1953
 
3401
3401
 
 
2, 3
EFCB
4372
75738
jan-1953
 
3402
3402
 
 
2, 3
EFCB
4373
75739
jan-1953
 
3403
3403
 
 
2, 3
EFCB
4374
75740
jan-1953
 
3404
3404
 
 
2, 3
EFCB
4375
75741
fev-1953
 
3405
3405
 
 
2, 3
EFCB
4376
75742
fev-1953
 
3406
3406
 
 
2, 3
EFCB
4377
75743
fev-1953
 
3407
3407
 
 
2, 3
EFCB
4378
75744
fev-1953
 
3408
3408
 
 
2, 3
EFCB
4379
75745
fev-1953
 
3409
3409
 
 
2, 3
EFCB
4380
75746
mar-1953
 
3410
3410
 
 
2, 3
EFCB
4381
75747
mar-1953
4381
 
 
 
 
2
EFCB
4382
75748
mar-1953
4382
 
 
 
 
2
EFCB
4383
75749
mar-1953
4383
 
 
 
 
2
EFCB
4384
75750
mar-1953
4384
 
 
 
 
2
EFCB
4385
75751
abr-1953
4385
 
 
 
 
2
EFCB
4386
75752
abr-1953
4386
 
 
 
 
2
EFCB
4387
75753
abr-1953
4387
 
 
 
 
2
EFCB
4388
75754
abr-1953
4388
 
 
 
 
2
EFCB
4389
75755
abr-1953
4389
 
 
 
 
2
EFCB
4390
75756
mai-1953
4390
 
 
 
 
2, 8
RVPSC
40 (60)
75769
jan-1954
 
3415
3415
 
 
2, 4
RVPSC
41 (61)
75770
fev-1954
 
3411
3411
 
 
2, 4
RVPSC
42 (62)
75771
jan-1954
 
3412
3412
 
 
2, 4
RVPSC
43 (63)
75772
jan-1954
 
3413
3413
 
 
2, 4
RVPSC
44 (64)
75773
jan-1954
 
3414
3414
 
 
2, 4

Notas

  1. AS-616 (bitola 1,600 metro)
  2. AS-616E (bitola 1,000 metro)
  3. 4371 e 4380 vendidas à EFS em 1954 e renumeradas. Esta nova numeração foi mantida quando da formação da Fepasa, em 1972
  4. Entre parêntesis, numeração original da RVPSC
  5. Transferidas à DVE em 1978 com a mesma numeração
  6. Transferida em 1984 à CBTU e não há certeza se foi renumerada
  7. Preservada no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, RJ
  8. Fábrica de Cimento Montes Claros, com a mesma numeração
  9. Freio dinâmico retirado

EFCB (1,6 m) — As AS-616 começaram a ser exportadas em 1951 e neste mesmo ano a Central do brasil encomendou 32 unidades, sendo 12 para bitola de 1,6 metro e 20 para a de 1,0 metro.

A única modificação básica do modelo doméstico americano (bitola de 1,435 m) para o nosso foi o alargamento do truque para a bitola larga. Foram equipadas com freio dinâmico no nariz curto.

Elas entraram em serviço inicialmente na região de Barra do Piraí (RJ), para operar com trens de minério.

Posteriormente, foram transferidas para serviços de manobra nos pátios e linhas de subúrbio e, finalmente, foram transferidas (já no fim de sua vida) para a ex-Divisão Expecial de Subúrbios do Grande Rio, atualmente CBTU (Foto 3).

EFCB (1,0 m) — O "E" das AS-616E significa "export", isso porque foram modificadas para bitolas estreitas existentes fora dos EUA. Estas 20 unidades foram a maior encomenda de AS-616E que a Baldwin recebeu.

Inicialmente foram designadas para operar em Belo Horizonte (MG), no trecho de bitola métrica da Central do Brasil, para puxar trens cargueiros, e posteriormente para serviços de manobras nos pátios. Também operaram na região de Montes Claros, norte de Minas.

RVPSC (1,0 m) — A Paraná – Santa Catarina encomendou suas AS-616E em 1953, baseada nas informações da EFCB e também porque necessitava de uma máquina com bom desempenho, e foram operar na região de Ourinhos – Curitiba (PR).

Estas máquinas eram idênticas às da Central, apenas com a inclusão do freio a vácuo para a composição.

Entretanto, estas locomotivas não se adaptaram às condições da via permanente da RVPSC (segundo informações colhidas, ela "abria a linha", devido ao peso) e tiveram vida curta, sendo trocadas por locomotivas GE tipo Cooper-Bessemer C+C da EF Sorocabana.

EFS (1,0 m) — A Sorocabana possuiu 15 AS-616E, sendo 10 compradas da Central do Brasil em 1954 e 5 da RVPSC que foram trocadas por 10 locomotivas GE C+C de 660 HP. Esta troca foi efetuada em 1955 (4 máquinas) e 1956 (6 máquinas).

Na Sorocabana, operaram inicialmente na linha tronco entre Assis (final da eletrificação) e Presidente Prudente, tracionando carga e passageiros.

Posteriormente, foram transferidas para a Baixada Santista, operando inclusive na linha Mairinque – Santos (SP), onde gozavam de ótima reputação. Segundo os maquinistas, as Baldwin "não choravam na rampa".

Elas ficaram conhecidas como "papo-amarelo", pois chegaram na EFS ainda nas cores originais da Central, que eram o azul colonial para o corpo e amarelo cromo para a frente e traseira. Posteriormente, foram pintadas nas cores da Sorocabana, verde colonial, branco para as faixas e cinza para faixa.

A última AS-616 da Fepasa a ser baixada foi a 3408, e que só parou por falta de peças de reposição (Foto 5).

Atualmente — Existem somente duas AS-616, ambas da ex-Central do Brasil, sendo uma de bitola 1,6 m, que está sendo recuperada para ser preservada no Engenho de Dentro (Preserfe, Rio de Janeiro, RJ).

A outra é de bitola 1,0 m e continua "na ativa", em operação na fábrica de Cimento Montes Claros, no município de Montes Claros, MG.

Para modelar esta máquina em escala HO, existe um fabricante americano que é a Stewart Hobbies, que produz a AS-16 e está anunciando o lançamento da AS-616.

Para modelar a AS-616E (bitola métrica), consulte o CO-16, enquanto que para modelar em bitola 1,6 m deve acrescentar o freio dinâmico no nariz curto.

A maior dificuldade reside nos truques. Como alternativa podemos utilizar o truque da Atlas RSD 4/5 e inverter o mesmo para a versão da AS-616E. Para a versão de 1,6 m não é necessário fazer esta inversão do truque.

Note que o truque da Atlas não é o correto, em termos de lateral (a distância entre centros está correta), porém sua modificação não é difícil.

Bibliografia

  • The Second Diesel Spotter's Guide, Kalmbach
  • Diesel from Eddystone: The Story of Baldwin Diesel Locomotives, Kalmbach
  • Revista Ferroviária nº 12, Dez-1953
  • Álbuns de características técnicas de Locomotivas da EFCB e EFS
  • Notas particulares

Siglas

  • EFCB — Estrada de Ferro Central do Brasil
  • EFS — Estrada de Ferro Sorocabana
  • DVE — Divisão Especial de Subúrbios, Rio de Janeiro, RJ
  • CBTU — Cia. Brasileira de Transportes Urbanos
  • RVPSC — Rede de Viação Paraná – Santa Catarina
  

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