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A litorina para Campinas

Délio Araújo, Centro-Oeste nº 79 (1º-jun-1993)

O maquinista da litorina São Paulo - Campinas afirmou ao Marco A. S. Freire que o percurso poderia ser coberto em 1 hora, ao invés das 2 horas gastas atualmente, se houvesse perfeitas condições de tráfego (CO-77). E o Marco descreve a viagem como um pesadelo, tendo-se a impressão de que a litorina vai sair dos trilhos. Além disso, é um carro de subúrbio. E o conforto?

O Marco está certo. E estes problemas não são novos!

Em 10-dez-1968, tive a satisfação de ser recebido por Eduardo Antônio de Camargo Fidélis, em seu gabinete de chefia da via permanente da então Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, na estação da Luz.

Nossa conversa foi saborosa, e muito amiga.

Escrevo confiando na memória. Se cometo erros de nome, cargo ou local, por favor me corrijam.

Eduardo Fidélis disse-me que:

(1) Os carros eram compridos demais para confortável inscrição em certas curvas;

(2) A bitola larga apresenta grande tendência para embicar para o lado de fora das curvas;

(3) A suspensão não era adequada para o tipo de serviço da época;

(4) As litorinas então correndo entre São Paulo e Campinas com o prefixo SC, eram simples TUE e, como tais, não atraíam os passageiros potenciais como se esperara;

(5) Nem a Paulista, nem a Santos a Jundiaí, tinham recursos para trens adequados, dotados de maior conforto e de melhor desempenho, para atrair satisfatoriamente os passageiros;

(6) O Brasil ainda não dominava a tecnologia das altas velocidades;

(7) O percurso, com 6 paradas intermediárias — e melhor via e material —, poderia ser efetuado em 75 ou, no máximo, 80 minutos;

(8) Para atrair e conquistar passageiros dos ônibus São Paulo - Campinas, e São Paulo - Jundiaí, além de outras cidades intermediárias, não deveriam ser empregados TUEs de subúrbios, mas TUEs de poltronas numeradas, em viagens frequentes, ao menos 1 por hora.

Mas, o "governo" não "ajudava", não havia recursos, nem havia mentalidade entre os escalões superiores da Santos a Jundiaí, da Paulista e da RFFSA, para tal tipo de serviço!

O serviço de carga era o que interessava.

Por outro lado, o passageiro era um ser complexo, difícil de ficar satisfeito.

Portanto, não havia clima institucional para trens de passageiros competitivos, no trecho.

Se assim era há 25 anos — e pouco se alterou a mentalidade descrita —, será que podemos esperar milagres?

E logo no País que detém um dos corredores de maior demanda de passageiros do mundo — o corredor Rio - São Paulo - Campinas —, nem sequer se soube manter o Santa Cruz...

  

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