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Locomotiva Shay fabricada pela Lima Locomotive Works, Lima, Ohio, Estados Unidos, bitola 1,00 m, para a EF Oeste de Minas, onde recebeu n° 301. Observe a transmissão por cardã. (Cartão postal enviado por J.-M. Marmy e publicado no Centro-Oeste n° 26 - 25-Jun-1989. Infelizmente o original foi emprestado e até hoje não voltou. Continuo aguardando. A imagem foi scanneada a partir do próprio CO-26, cujas páginas são muito finas, aparecendo a sombra de textos e imagens da página seguinte)

EFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas
As locomotivas Shay

Délio Araújo - CO Textos nº 10 (1º-Ago-1989)

A EF Oeste de Minas (EFOM) encomendou locomotivas Shay para o trecho da serra da Mantiqueira, entre Barra Mansa, RJ, e Augusto Pestana, MG.

As Shay não percorriam todo esse trecho. Pelo que ouvi em Belo Horizonte, de Waldemar Baeta Neves, eng° da Rede Mineira de Viação (RMV), lá por 1944 a 1948, elas circulavam das proximidades de Falcão até Augusto Pestana, passando por Passa Vinte e Carlos Euler.

O trecho é íngreme, rampa contínua de 4 por cento! As locomotivas Pacific que faziam os trens mistos levavam cerca de 80 a 90 toneladas de trem serra acima. As locomotivas 2-8-0 Consolidation, um pouco mais.

Os trilhos eram leves, impedindo a utilização de maior peso por eixo.

A EFOM relutou muito em empregar locomotivas Garrats ou Mallets de simples expansão, por falta de experiência e até por falta de conhecimentos sobre locomotivas articuladas.

Então vieram as locomotivas Shay, na década de 1920. Extremamente lentas, em pouco ou nada melhoraram a tração na serra. Nunca faziam mais de 8 ou 10 km/hora!

Pela foto (CO-26), não se percebe que a transmissão tem um redutor na engrenagem de cada eixo motriz, isto é, a roda dentada do cardã é de pequeno diâmetro e os dentes das rodas motrizes vêm no aro das mesmas. Logo, a velocidade é sempre baixa.

Por outro lado, os três cilindros laterais têm a respectiva distribuição montada no mesmo eixo de manivela, dificultando a manutenção.

Pela foto, não se vê também que a caldeira não está no centro da locomotiva, mas deslocada para o lado contrário ao dos cilindros. Era para equilibrar a massa total da locomotiva.

Quanto à tração, excelente. Não derrapavam. O coeficiente de aderência era elevado, mesmo com os trilhos molhados ou úmidos — 30 a 33 por cento!

Mas a baixa velocidade fez a EFOM pensar na eletrificação do trecho Barra Mansa – Augusto Pestana e, pouco tempo depois, até Andrelândia.

As Shay perderam a utilidade no final da década de 1920, encostadas que foram. Ouvi também de maquinistas da RMV (pois a RMV resultou da fusão da EFOM e da Rede Sul Mineira ou EF Sul de Minas, além da EF Paracatu, em 1931), há 40 anos, que as caldeiras das Shay foram aproveitadas para a construção, em Divinópolis, MG, das Pacific 4-6-2 números 339 e 340!

Realmente, a 339 e a 340 tinham aquela inclinação da caldeira, entre os dois domos. A 339 morreu em explosão de caldeira, há pouco mais de 30 anos, e a 340 encontra-se exposta em Divinópolis.

Gostaria que alguém confirmasse se o que escrevo é história ou estória. Foi o que ouvi, se a memória não falha.

  

Shay / EFOM, eletrificação e
Pacific 339 / 340

Eduardo Coelho - CO Textos nº 10 (1º-Ago-1989)

Embora não possua uma quantidade razoável de informação a respeito das Shay da EFOM, sei que foram compradas exclusivamente para uso na serra da Mantiqueira, entre Barra Mansa, RJ, e Augusto Pestana, MG, e possivelmente também além desta última.

Embora tivessem um esforço de tração razoável, se comparado às até então utilizadas (Pacific 4-6-2 e Consolidation 2-8-0), as Shay eram irritantemente vagarosas, o que acabou por levar a EFOM a eletrificar esse trecho.

Não tenho certeza do total de máquinas desse tipo adquiridas pela EFOM, mas acredito terem sido pelo menos duas.

As Pacific 339 e 340, construídas já pela RMV, não tinham caldeiras destas máquinas? Não sei ao certo.

Outras ferrovias que utilizaram as Shay no Brasil foram a EF Leopoldina e a EF Sorocabana. Talvez o Fábio Dardes possa dar mais informações, especialmente sobre estas últimas.

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