EFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas
As locomotivas Shay
Délio Araújo - CO Textos nº 10 (1º-Ago-1989)
A EF Oeste de Minas (EFOM) encomendou locomotivas Shay para o trecho da serra da Mantiqueira, entre Barra Mansa, RJ, e Augusto Pestana, MG.
As Shay não percorriam todo esse trecho. Pelo que ouvi em Belo Horizonte, de Waldemar Baeta Neves, eng° da Rede Mineira de Viação
(RMV), lá por 1944 a 1948, elas circulavam das proximidades de Falcão até Augusto Pestana, passando por Passa Vinte e
Carlos Euler.
O trecho é íngreme, rampa contínua de 4 por cento! As locomotivas Pacific que faziam os trens mistos levavam cerca de
80 a 90 toneladas de trem serra acima. As locomotivas 2-8-0 Consolidation, um pouco mais.
Os trilhos eram leves, impedindo a utilização de maior peso por eixo.
A EFOM relutou muito em empregar locomotivas Garrats ou Mallets de simples expansão, por falta de experiência e até por
falta de conhecimentos sobre locomotivas articuladas.
Então vieram as locomotivas Shay, na década de 1920. Extremamente lentas, em pouco ou nada melhoraram a tração
na serra. Nunca faziam mais de 8 ou 10 km/hora!
Pela foto (CO-26), não se percebe que a transmissão tem um redutor na engrenagem de cada eixo motriz, isto é, a roda
dentada do cardã é de pequeno diâmetro e os dentes das rodas motrizes vêm no aro das mesmas. Logo, a velocidade
é sempre baixa.
Por outro lado, os três cilindros laterais têm a respectiva distribuição montada no mesmo eixo de manivela, dificultando
a manutenção.
Pela foto, não se vê também que a caldeira não está no centro da locomotiva, mas deslocada para o lado
contrário ao dos cilindros. Era para equilibrar a massa total da locomotiva.
Quanto à tração, excelente. Não derrapavam. O coeficiente de aderência era elevado, mesmo com os trilhos
molhados ou úmidos — 30 a 33 por cento!
Mas a baixa velocidade fez a EFOM pensar na eletrificação do trecho Barra Mansa – Augusto Pestana e, pouco tempo depois, até
Andrelândia.
As Shay perderam a utilidade no final da década de 1920, encostadas que foram. Ouvi também de maquinistas da RMV (pois a RMV
resultou da fusão da EFOM e da Rede Sul Mineira ou EF Sul de Minas, além da EF Paracatu, em 1931), há 40 anos, que as
caldeiras das Shay foram aproveitadas para a construção, em Divinópolis, MG, das Pacific 4-6-2 números 339 e 340!
Realmente, a 339 e a 340 tinham aquela inclinação da caldeira, entre os dois domos. A 339 morreu em explosão de caldeira,
há pouco mais de 30 anos, e a 340 encontra-se exposta em Divinópolis.
Gostaria que alguém confirmasse se o que escrevo é história ou estória. Foi o que ouvi, se a memória não
falha.
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Shay / EFOM, eletrificação e
Pacific 339 / 340
Eduardo Coelho - CO Textos nº 10 (1º-Ago-1989)
Embora não possua uma quantidade razoável de informação a respeito das Shay da EFOM, sei que foram compradas
exclusivamente para uso na serra da Mantiqueira, entre Barra Mansa, RJ, e Augusto Pestana, MG, e possivelmente também além
desta última.
Embora tivessem um esforço de tração razoável, se comparado às até então utilizadas
(Pacific 4-6-2 e Consolidation 2-8-0), as Shay eram irritantemente vagarosas, o que acabou por levar a EFOM a eletrificar esse trecho.
Não tenho certeza do total de máquinas desse tipo adquiridas pela EFOM, mas acredito terem sido pelo menos duas.
As Pacific 339 e 340, construídas já pela RMV, não tinham caldeiras
destas máquinas? Não sei ao certo.
Outras ferrovias que utilizaram as Shay no Brasil foram a EF Leopoldina e a EF Sorocabana. Talvez
o Fábio Dardes possa dar mais informações, especialmente sobre estas últimas.
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