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O último e único exemplar, sobrevivente no Brasil, de uma destas
imponentes locomotivas articuladas está exposto no Museu do Trem,
no Recife, PE.
Trata-se de uma loco 4-8-2+2-8-4, comprada pela antiga Great Western
of Brazil, que posteriormente — junto com outras tantas ferrovias
— veio a constituir a Rede Ferroviária Federal S/A.
A Great Western, em bitola métrica, recebeu em 1928 suas 2 primeiras
locos Garratt, com rodagem 2-6-2+2-6-2, da firma Armstrong Whitworth
& Co., Inglaterra. Foi o primeiro de 2 pedidos de locos Garratt
para esta firma.
Porém, quando se referia a estas máquinas, dizia-se que eram de
projeto e construção da Beyer Peacock, podendo-se supor que foram
fabricadas sob licença.
Eram muito similares, no projeto, às locomotivas tipo GC da South
African Railways, porém suas dimensões diferiam um pouco. As nossas
tinham pressão de vapor maior, porém diâmetro de cilindros menor.
Pouco antes do início da II Grande Guerra, a Great Western colocou
um pedido na Beyer Peacock, de 4 grandes máquinas com rodagem 4-8-2+2-8-4.
A entrega destas locos teve grande atraso por causa do início das
hostilidades na Europa.
No entanto, este pedido levou a um tipo de projeto tão desenvolvido
e tecnicamente perfeito, que outras ferrovias, de outros países,
também as compraram e tornaram-na padrão de suas linhas.
Após o término da guerra, a Beyer Peacock cedeu a fabricação destas
locomotivas — que de 4 passaram a ser 6 — para a Henschell & Sohn,
que as construiu sob licença e as entregou em 1952 para a Rede Ferroviária
do Nordeste.
Elas tinham comprimento total entre engates de 26,67 m, e velocidade
máxima de 70 km/h. Seus números de série eram 6966 a 6969, e 7136
a 7137. Todas já foram baixadas e — com exceção da nº 612 — sucateadas.
Engana-se, no entanto, quem supõe que somente a RFFSA teve locomotivas
tipo Garratt.
A Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (CMEF) teve 5 locos com rodagem
4-6-0+0-6-4 que, diga-se de passagem, foram as primeiras locomotivas
Garratt na América do Sul, fabricadas pela Beyer-Peacock entre 1912
e 1914.
A EF Leopoldina teve 4 máquinas com rodagem 2-4-2+2-4-2, e 16 com
rodagem 4-6-2+2-6-4, sendo que todas as 20 foram fabricadas pela
Beyer-Peacock entre 1929 e 1943.
Também a São Paulo Railway (depois EF Santos a Jundiaí) teve algumas:
- 2 com rodagem 2-6-0+0-6-2, bitola métrica, destinadas à EF Bragantina;
3 com rodagem 2-4-0+0-4-2; e 6 com rodagem 2-6-2+2-6-2, que por
volta de 1931 foram modificadas para 4-6-2+2-6-4, todas com bitola
de 1,60 m. Elas foram fabricadas pela Beyer-Peacock entre os anos
de 1913 e 1936.
A VF Rio Grande do Sul (VFRGS) teve 10 locomotivas com rodagem
4-6-2+2-6-4, fabricadas em 1931 pela Henschell & Sohn.
Sem dúvida nenhuma, as Garratts da Rede Ferroviária do Nordeste
foram as mais poderosas e elegantes locomotivas desse tipo que rodaram
no Brasil, ou mesmo na América Latina. Tracionavam qualquer trem
que se lhes engatasse, desde trens de passageiros até pesados trens
cargueiros.
Creio que até Robert Stephenson rolaria de alegria em seu túmulo,
se a RFFSA, num rasgo de sentimentalismo e boa vontade, pusesse
a última Garratt brasileira a funcionar novamente para fins turísticos.
Mas nossa pequena pesquisa não fica por aqui.
Escondidas na região de Piracicaba, SP, por mais de 50 anos, existiram
2 pequenas locos Garratt com rodagem 0-4-0+0-4-0, aparentemente
fabricadas pela firma Saint-Leonard, França, que puxavam cana para
a Usina de Açúcar de Piracicaba / Porto Feliz.
Elas foram fabricadas em 1927 e delas quase mais nada se sabe —
nem sequer se ainda existem, enfiadas em algum galpão, enferrujando,
ou se já foram vendidas como sucata e retalhadas pelo sempre maldito
maçarico de corte.
Se alguém souber algo, e assim puder
jogar ou pouco de luz sobre esta incógnita, agradeceria muito.
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