Ferrovias, locomotivas e maquinistas
Um apito para cada situação
Cadernos do Museu Histórico, n° 1 —
Divinópolis, MG, 1991
O apito era um acessório indispensável na locomotiva
a vapor. Era fabricado de bronze, aço, ferro maciço,
ferro fundido, metal, latão ou cobre.
Era montado na parte alta da caldeira ou na cúpula, onde
recebia vapor seco, ideal para seu bom funcionamento.
Havia 2 ou 3 tipos: - O sanfona de ferro fundido; o sanfoninha
de bronze fundido; e o apito liso de ferro maciço, bronze,
aço, latão ou metal.
O apito de ferro fundido tinha som sanfonado, fanhoso. O sanfoninha
de bronze emitia som também sanfonado, um pouco estridente,
com 2 vozes bonitas. O apito liso tinha som estridente e era chamado
de copo, com 3 vozes: grossa, média e fina. Para mudar de
voz, bastava saber dar um golpe na corda.
Sua função era emitir sons para os sinais regulamentares
para os devidos fins, para comunicar com o pessoal das áreas
da tração, tráfego e linha.
Para pedir socorro ao longo da linha, em caso de acidentes com
tombamento, descarrilamento, ou qualquer circunstância que
exigisse auxílio da turma de via permanente, era necessário
emitir 3 sinais longos e sentidos. Se o pessoal não atendesse
imediatamente, repetiam-se por mais 2 vezes, com pequenos intervalos.
Em caso de acidente com vítima fatal, emitiam-se 9 sinais
longos e sentidos, seguidos por intervalos de 5 minutos entre cada
3 sinais.
Para espantar animais ou pedestres da linha, davam-se quantos sinais
curtos fossem necessários.
Sinal curto 300 metros antes das travessias ou passagens de nível,
para alertar os transeuntes.
Um sinal curto nas proximidades do local de trabalho de turma de
conserva, quando era hasteada uma bandeira branca indicando linha
livre.
O sinal ainda era útil para alertar os trabalhadores da
aproximação do trem de ferro, para que deixassem os
trilhos livres para sua passagem.
Dois sinais curtos serviam para pedir ao guarda-freio auxílio
no freio manual, quando o freio automático não era
suficiente para a segurança do trem de ferro nas descidas
da serra.
As equipagens da locomotiva, inclusive o manobreiro, em serviço
de manobras nos pátios dos depósitos e das estações,
comunicavam entre si com 2 sinais curtos, para fazer parar o trem;
e 3 sinais um pouco mais longos, para chamar a outra locomotiva
distante.
Um sinal de apito longo a 500 metros da estação,
na chegada do trem de ferro, para alertar o pessoal incumbido de
dar entrada no trem. Se fosse um trem de passageiros, para alertá-los
no caso de embarque ou desembarque.
Na partida, antes do maquinista deslocar o trem, dava um sinal
de apito mais longo e outro curto, 30 segundos após o primeiro,
também para alertar os passageiros e funcionários.
Um sinal de apito forte ou bem alto, 300 metros antes das entradas
de pontes, túneis ou viadutos.
Enfim, apitos longos e floreados, 500 metros ou mais, na saída
das estações, para o maquinista vaidoso se despedir
de seus amores e deixar corações amargurados com a
partida do ente querido para uma longa viagem.
O sino
O sino era uma peça fundida em bronze amarelo, com a face
externa bem polida, para lustrar. Servia para alertar o transeunte
na chegada e partida das estações e travessias de
ruas e praças das grandes cidades.
O sino funcionava movido por uma corda manipulada pelo foguista;
ou a vapor, também regulado pelo foguista, através
de um registro situado em local acessível ao seu manuseio.
|