Centro-Oeste - Trens, ferrovias e ferreomodelismo
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Desenho original da locomotiva nº 339 da EFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas
Cópia fotostática do desenho original de João Morato, cedida por seu filho a José Carlos Reis Menezes, e reforçada (com possíveis falhas) a nanquim por Flávio R. Cavalcanti.

João Morato

João Morato de Faria reconstruiu várias locomotivas e trocou o sistema de freio de várias outras. Foi também exímio artífice e modelista, construindo o único modelo em escala da 339 de que se tem notícia.

Este modelo foi posteriormente doado por ele para o leilão de arrecadação de fundos para construção de uma igreja em Divinópolis, e arrematado por um antigo morador da cidade — que nunca deixou de admirar as locomotivas.

Um de seus filhos, João Morato Faria Filho, residente no bairro Porto Velho, à R. Gonçalves Ledo, 37, Tel.: 037-221-8793, ainda guarda as plantas da 339, desenhadas à mão por seu pai.

José Carlos Menezes

Emoções

No CO-4, vocês apresentaram a 339 e a 340 da RMV. Fiquei comovido ao vê-las. A 339 e a 340 foram minhas amigas de infância e de juventude.

Tinha amizade com maquinistas e foguistas. Algumas vezes, permitiram, escondidamente, que as dirigisse da estação para o pátio, as levasse à caixa d'água, as colocasse no girador — que era meio bambo e oscilava quando a locomotiva nele manobrava — e as levasse até o estacionamento, entre as elevadas pilhas de lenha.

Muitas vezes fiz o percurso em direção contrária, levando-as até a caixa d'água e daí para engatá-las no trem.

Hoje, o pátio não existe mais, nem o girador, nem a caixa d'água: — Tudo foi removido para dar lugar ao novo trem urbano de Belo Horizonte.

Délio Araújo, CO-7, Jun-1985

   

EFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas
O construtor das
locomotivas de Divinópolis


 
José Carlos Menezes
Centro-Oeste nº 4 — Mar. 1985

"Não vai funcionar!" — disse o mecânico-chefe da oficina da Rede Mineira de Viação (RMV) em Divinópolis, MG, João Morato de Faria, quando viu as plantas de uma locomotiva a vapor elaboradas pelo engenheiro-chefe.

Todo o Brasil de 1942 sofria os efeitos da II Grande Guerra, que cortara drasticamente o fluxo de importações em todos os setores, inclusive máquinas e peças de reposição essenciais ao funcionamento da indústria. Por toda parte, pessoas de iniciativa enfrentavam o desafio de produzir toda espécie de artigos até então comodamente importados.

O governo de Getúlio Vargas lutava contra a má-vontade dos EUA em fornecer os equipamentos para a primeira usina siderúrgica integrada brasileira, em Volta Redonda, e o País — por conta própria — acelerava o processo de industrialização, como e onde podia.

Em Divinópolis — uma das maiores oficinas da RMV —, a falta de peças de reposição e o reduzido número de locomotivas despertou a idéia de construir suas próprias máquinas.

Levada à administração central, a idéia foi aprovada e autorizou-se a construção de 2 unidades pioneiras. Mas, apesar de sua pouca escolaridade, o veredito de João Morato sobre o projeto do engenheiro-chefe estava certo.

A advertência não foi considerada e o projeto original foi mantido. Em 60 dias, a locomotiva ficou pronta, e foi um fiasco total: — Mesmo sem o peso do tênder, não conseguia movimentar sequer a si própria.

Só então a administração lembrou a advertência de João Morato e decidiu conceder-lhe carta branca, material, e os companheiros que escolhesse, para ver o que conseguiria.

Morato e seus companheiros desmontaram a locomotiva falida, refizeram todo o projeto e a maioria das peças e, em menos de 30 dias estava pronta a nº 339 da RMV — uma Pacific imponente. E funcionava.

Feitos os testes e comprovada sua potência, a 339 foi levada a uma cidade vizinha para esperar o expresso noturno de Belo Horizonte, à frente do qual faria sua entrada triunfal em Divinópolis.

Em meio à multidão reunida para aclamar festivamente a chegada da 339, João Morato olhava tudo aquilo, esquecido e de chapéu na mão, enquanto nos estribos da máquina — um de cada lado — o engenheiro e o diretor da oficina saudavam a multidão.

A 339 e sua irmã gêmea 340 operaram regularmente nas linhas do sul e oeste de Minas até que, por volta de 1955, a caldeira da 339 explodiu por descuido da equipagem.

A 340 deu baixa somente em 1965, ainda em plena atividade, quando a direção da RFFSA desativou todas as locomotivas a vapor ainda existentes na região.

Atualmente, a 340 está exposta em um tardio mas merecido monumento aos seus construtores, no bairro Esplanada, Divinópolis, à frente da oficina de onde saiu.

   

Caldeiras Shay

As locomotivas 339 e 340 da antiga RMV foram construídas aproveitando as caldeiras de duas locomotivas tipo Shay, segundo informações de um mecânico que trabalhava em Divinópolis na época.

Marcelo Lordeiro, CO-11, Nov-1985

Incentivo

Acabo de receber o DC-18-19, que li de uma assentada, em cerca de 2h. Estão realmente muito bons. Gostei especialmente das matérias sobre a Consolidation da Frateschi, que me preencheram a necessidade de conhecer um pouco mais sobre este lançamento. A análise da carta do Alexandre Santurian foi exata e me relembrou a questão de como é importante para todos — modelistas e fabricantes — ter o retorno do desempenho dos produtos, no mercado.

A Consolidation é, sem dúvida, a vedete do mercado brasileiro de ferreomodelismo. Eu, mesmo, já estou programando meus "trocados" para comprar uma, não só pelo gosto de tê-la, como pelo incentivo à nossa vaporosa. É claro que isso não invalida a possibilidade de comprar uma estrangeira e convertê-la para "uma das nossas". Particularmente, mantenho o sonho de, um dia, modelar a 340 da RMV, construída em Divinópolis, por João Morato e seus colegas. (...)

José Carlos Menezes, DC-20,

Desenho esquemático e características da locomotiva nº 340 da antiga EFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas
Desenho esquemático e características da locomotiva nº 340 da antiga EFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas
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