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A linha da SR-2 em Angra dos Reis

Eliezer Magliano — Centro-Oeste DC-11-12 — 06-Abr-1991

Nossa linha, aqui, é o trecho inicial da SR-2, Angra – Barra Mansa – Lavras. Aqui já foi o quilômetro zero do ex-tronco principal Angra – Catalão (Goiás), da extinta EF Oeste de Minas (CO-22/3), em bitola métrica, posteriormente Angra – Brasília. Estive na estação, conversando com o chefe José Mauro Mesquita, que foi muito atencioso.

De Angra a Barra Mansa, são 108 km de linha simples, em uma viagem que pode levar cerca de 6 horas. Atualmente, as estações são, pela ordem: Angra dos Reis, Jussaral, Lídice, Rio Claro, Getulândia e Barra Mansa. Antes de Barra Mansa, havia a estação Antônio Rocha, já desativada, de onde saía o ramal de Bananal (DC-10/1).

De passageiros, aqui na SR-2, só o trem dos funcionários, que vemos uma vez ou outra. Só no Brasil, o litoral mais bonito e turístico do mundo é cortado apenas por trens de minério!

Central não chegou

Não temos ligação ferroviária com o Rio de Janeiro. O máximo que a Central do Brasil avançou foi até Mangaratiba, a uns 50 km daqui, e hoje a linha da SR-3 já não chega sequer até lá, terminando no porto da Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), no rio Saí, uns 10 km antes de Mangaratiba. O trecho final teve os trilhos arrancados, como de praxe. O trecho restante é usado pelos trens de minério, que usam uma variante mais nova, de Japeri a Itaguaí, para trazer o minério de ferro de Minas Gerais, na bitola 1,6 metro.

Já houve projeto de continuar a linha da Central / SR-3 até Angra dos Reis, ou até Jacuacanga, onde havia um forte da Marinha do início do século. No meio do mato, há cortes, cabeceiras de pontes e até partes de viadutos. Parece que, após muitos contos de réis, desistiram do projeto.

Não dá para saber como é a descida da serra, pois o trem de passageiros acabou há uns 10 anos. Estou tentando uma carona no auto de linha ou em um trem, para conhecer o trecho e, se possível, filmá-lo. Dizem que é fantástico.

Já houve um projeto das prefeituras de Angra e Rio Claro para colocar um trem turístico, talvez automotrizes. Chegou a sair uma nota no jornal mas, também como de praxe, gorou.

O Luiz Octávio (ABPF-RJ) esteve aqui no Carnaval e mandou uma carta informando que há uns 20 anos havia em Angra uma 2-8-0, da qual não tem mais vestígios. Ele sugere usar a 4-6-0 n° 233 da RMV, que se encontra em Barra Mansa, para tracionar um trem turístico. Quem sabe?

A linha começa na estação de Angra, prédio não muito antigo (1956), ainda com as instalações para passageiros, situado em frente à praia do Anil, praticamente na cota de 0 metro acima do nível do mar.

O pátio tem um triângulo e um ramal segue até o porto. A estação tem uma balança de 80 toneladas, desativada, que deve entrar brevemente em reforma.

O declive da linha é alto. A subida começa na saída do pátio e calculo que suba uns 100 m nos primeiros 4 km, onde já existe um túnel. Bitola métrica, raios de curva pequenos (presumo), trilhos velhos, ainda importados, dormentes de madeira velhos e espaçados. A linha só atende ao porto, pequeno mas com grande potencial. O licenciamento ainda é feito por telégrafo morse e existe um telefone seletivo.

(N. R.: De fato, o declive é mais forte do km 5 ao km 11,8, subindo 121 m em menos de 7 km. Veja quadro).

A estação possui uma manobreira — atualmente uma G-8 n° 4051. Já houve uma GL-8, mas foi transferida por causa da maresia. O porto tem uma manobreira GE pequena, daquelas da Companhia Docas, amarelas.

O tráfego médio é de 3 trens por 24 horas, podendo ir a 5 nas épocas de pico de exportação da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda, RJ.

A linha funciona apenas para exportação de mármore e produtos siderúrgicos (bobinas de chapa), principalmente, e importação de trigo a granel. Aço e mármore em vagões prancha PEB e trigo em hoppers combinados (com portas) tipo FHD.

Em média, 1,6 mil t/mês de mármore, 36 a 74 mil t/mês de aço e 10 mil t/mês de trigo. Quando faltam plataformas, a Rede está usando gôndolas para trazer produtos siderúrgicos.

Os trens são geralmente formados por 3 ou 4 G-8 com 17 plataformas (1,2 mil t), ou 3 ou 4 G-12 com 21 PEB (1470 t) — a tração múltipla, por causa da serra. As plataformas sempre sobem e os hoppers sempre descem vazios.

Vazios, os trens sobem com 40 a 50 vagões. Os trens de trigo sobem com 3 G-8 e 11 FHD, ou 3 G-12 e 13 FHD.

Ainda rodam vagões com mancais de caixa de graxa (bronze e estopa), que ainda pegam fogo.

Já se falou em triplicar a exportação de aço para 200 mil t/mês, mas isso iria exigir remodelação da via permanente que, pela idade, talvez não aguente todo esse volume de tráfego.

  

 
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