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Codificação de veículos ferroviários no Brasil

João Bosco Setti — Centro-Oeste n° 78 — 1°-Mai-1993

Este trabalho visa complementar as informações já publicadas no Informativo Frateschi n° 20 e 21 (1982), e pelo Centro-Oeste n° 72 (1992), considerando o estágio atual no âmbito da RFFSA.

Letra opcional

O Quadro 1 inclui a relação completa, atual, das Letras de Propriedade, utilizadas opcionalmente pela RFFSA — logo após o dígito de controle — para identificar genericamente o proprietário e/ou a regional de origem.

Quadro 1 – Letra opcional
Letra Empresa Regional ou Ferrovia
A
RFFSA
Superintendência Regional São Luiz
SR-12
B
RFFSA
Superintendência Regional Fortaleza
SR-11
C
RFFSA
Superintendência Regional Recife
SR-1
D
RFFSA
Superintendência Regional Salvador
SR-7
E
RFFSA
Superintendência Regional Belo Horizonte
SR-2
F
RFFSA
Superintendência Regional Juiz de Fora
SR-3
G
RFFSA
Superintendência Regional Campos
SR-8
H
CBTU
Superintendência de Trens Urbanos RJ
STU-RJ
I
RFFSA
Superintendência Regional São Paulo
SR-4
J
RFFSA
Superintendência Regional Bauru
SR-10
K
CBTU
Metropolitano do Recife
Metrorec
L
RFFSA
Superintendência Regional Curitiba
SR-5
M
RFFSA
Superintendência Regional Tubarão
SR-9
N
RFFSA
Superintendência Regional Porto Alegre
SR-6
O
CBTU
Superintendência de Trens Urbanos SP
STU-SP
P
RFFSA
Superintendência de Patrimônio - Preservação
Preserfe
Q
CBTU
Belo Horizonte
Demetrô
R
FA
Ferrocarriles Argentinos
S
CBTU
Porto Alegre
Trensurb
T
(Reservado para estudos. Não alocado)
U
AFE
Administracion de los Ferrocarriles del Estado – Uruguai
V
CVRD
EF Vitória a Minas
EFVM
W
CBTU
Superintendência de Trens Urbanos Fortaleza
STU-
X
ENFE
Empresa Nacional de Ferrocarriles – Bolívia
Y
CBTU
Superintendência de Trens Urbanos Recife
Bitola métrica
Z
Fepasa
Ferrovia Paulista S/A

Faixas numéricas

Estas faixas (Quadro 2) estão sujeitas a alterações, principalmente nas quantidades de reserva, em virtude da adesão de outras ferrovias.

Atualmente, está sendo estudada a inclusão das ferrovias do Uruguai (AFE) e da Argentina (FA).

Quadro 2 – Faixas numéricas
Faixa numérica Quant. Tipo Proprietário
000.000 a 099.999
100.000
Vagões Particulares
100.000 a 299.999
200.000
Vagões CVRD
300.000 a 599.999
300.000
Vagões Fepasa
600.000 a 799.999
200.000
Vagões RFFSA
800.000 a 839.999
40.000
Vagões ENFE
840.000 a 899.999
60.000
(reserva)
900.000 a 909.999
10.000
Locomotivas RFFSA
910.000 a 911.999
2.000
Locomotivas CVRD
912.000 a 917.999
6.000
Locomotivas Fepasa
918.000 a 918.099
100
Locomotivas ENFE
918.100 a 919.999
1.900
Locomotivas Particulares
920.000 a 929.999
10.000
Carros RFFSA
930.000 a 930.999
1.000
Carros CVRD
931.000 a 931.999
1.000
Carros ENFE
932.000 a 932.999
1.000
(reserva)
933.000 a 937.999
5.000
Carros Fepasa
938.000 a 939.999
2.000
(reserva)
940.000 a 945.999
6.000
(reserva)
946.000 a 946.199
200
Automotrizes bitola larga RFFSA
946.200 a 946.299
100
TUDH (carro motor) bitola larga RFFSA
946.300 a 946.399
100
TUDH (carro reboque) bitola larga RFFSA
946.400 a 946.599
200
TUE (carro motor) bitola larga RFFSA
946.600 a 946.699
100
TUE (carro reboque) bitola larga RFFSA
946.700 a 946.999
300
(reserva)
947.000 a 947.199
200
Automotrizes bitola métrica RFFSA
947.200 a 947.299
100
TUDH (carro motor) bitola métrica RFFSA
947.300 a 947.399
100
TUDH (carro reboque) bitola métrica RFFSA
947.400 a 947.599
200
TUE (carro motor) bitola métrica RFFSA
947.600 a 947.699
100
TUE (carro reboque) bitola métrica RFFSA
947.700 a 949.999
2.300
(reserva)
950.000 a 959.999
10.000
Equipamento de Via Permanente RFFSA
960.000 a 969.999
10.000
Equipamento de Eletrotécnica RFFSA
970.000 a 970.499
500
Guindastes RFFSA
970.500 a 974.999
4.500
Equipamento de Socorro RFFSA
975.000 a 979.999
5.000
Autos de Linha RFFSA
980.000 a 999.999
20.000
(reserva)

Estrutura da codificação

A estrutura padrão para a identificação de cada veículo de qualquer tipo é apresentada no Quadro 3:

X1, X2, X3 caracterizam o tipo, sub-tipo, bitola, peso bruto, fabricante, etc, conforme a natureza do veículo;

N1 a N6 identificam o veículo, segundo as faixas numéricas do Quadro 2;

N7 é o dígito de controle, referente à parte numérica;

X4 é a letra de propriedade, opcional, somente utilizada pela RFFSA.

Quadro 3 – Estrutura-padrão para identificação de qualquer tipo de veículo ferroviário
1ª Letra
2ª Letra
3ª Letra
1° Dígito
2° Dígito
3° Dígito
4° Dígito
5° Dígito
6° Dígito
7° Dígito
4ª Letra
X1
X2
X3
N1
N2
N3
N4
N5
N6
N7
X4
Tipo / Sub-tipo
Identificação Individual
Check Digit
Opcional
 

Codificação dos vagões

A codificação dos vagões utiliza a estrutura completa, com as 3 primeiras letras indicando o tipo (X1), o sub-tipo (X2) e o peso máximo e bitola (X3).

Os quadros indicativos das 3 primeiras letras têm sido amplamente publicados, como por exemplo no Centro Oeste n° 72.

Ao operar um terminal do Sistema Integrado de Gerenciamento Operacional (Sigo), em qualquer estação da RFFSA que o tenha instalado, o agente digita apenas a parte numérica — inclusive o dígito de controle —, e a seguir aparecem na tela as 3 letras iniciais e a letra final opcional, todas armazenadas na memória do sistema.

No entanto, para selecionar um ou vários tipos de vagões, o agente também pode fazer as opções digitando apenas as letras correspondentes, e o computador automaticamente segue os seus comandos.

Codificação das locomotivas

Para identificar as locomotivas, a RFFSA padronizou sua numeração, agrupando por fabricante, bitola e tipo, conforme o Quadro 4, tirado da norma IM-F7, de 1983.

Os dados desse quadro estão contidos na faixa numérica da RFFSA (Quadro 2).

Como nas locomotivas são pintados apenas os 4 últimos dígitos — mais o de controle —, na prática equivale a acrescentar "90", ou "900", ou "9000" (se for abaixo de mil) na frente do número da loco, para digitação no Sigo e para cálculo do dígito de controle.

Para as locomotivas, não são utilizadas as 3 letras iniciais (X1, X2, X3), embora a RFFSA utilize — e pinte nas máquinas — a letra opcional (X4).

Também de acordo com o Quadro 2, para se digitar uma locomotiva da EFVM, da Fepasa ou da ENFE — isto é comum em estações que tenham intercâmbio com estas Ferrovias —, deve ser acrescentado "91" ou "910" (antes do número), mais o dígito de controle (no final).

  

 
Quadro 4 – Locomotivas da RFFSA
Tipo Fabricante Bitola 0,76 m Bitola métrica Bitola larga
Vapor
Diversos
900.001 a 900.100
900.101 a 900.400
900.401 a 900.500
Diesel
Diversos
       
900.501 a 900.750
900.751 a 901.000
Diesel
(reserva)
       
901.001 a 901.500
901.501 a 902.000
Diesel
GE
       
902.001 a 903.000
903.001 a 904.000
Diesel
GM
       
904.001 a 905.000
905.001 a 906.000
Diesel
ALCO
       
906.001 a 907.000
907.001 a 908.000
Elétrica
Diversos
       
908.001 a 909.000
909.001 a 909.999

Codificação dos carros

Assim como para os vagões, também os carros de passageiros têm uma codificação alfa-numérica. A única diferença é a utilização de apenas duas letras (X1 e X2).

O Quadro 5 indica o tipo básico de cada carro (X1):

Quadro 5 – Carros - Primeira letra (X1)
Letra (X1) Tipo Básico
A
Administração
B
Bagagem e/ou Correio
D
Dormitório com cabines
E
Pulmann(com poltronas especiais)
F
Buffet (com poltronas e bar)
L
Poltronas - leito
P
Poltronas de primeira classe
Q
Qualquer / outros
R
Restaurante
S
Segunda classe
T
Classe turística
U
Suburbano
Quadro 6 – Carros - Segunda letra (X2)
Letra (X2) Material da caixa
A
Alumínio
C
Aço carbono
D
Aço carbono e Madeira
E
Aço carbono e Inoxidável
I
Aço Inoxidável
L
Aço carbono e Alumínio
M
Madeira
Q
Qualquer / outros

A segunda letra (X2) define o sub-tipo, indicando o material de constituição da caixa do carro, de acordo com o Quadro 6:

A RFFSA costuma pintar em alguns carros a identificação completa; e em outros omite os 2 primeiros números (N1 e N2).

Já a Fepasa pinta apenas as 2 letras e os 4 últimos números, também omitindo o dígito de controle.

Automotrizes e Trens-Unidades

A codificação na RFFSA neste caso é equivalente à dos carros, apenas variando as duas letras iniciais (X1 e X2), e seguindo sempre as faixas numéricas do Quadro 2.

O Quadro 7 indica X1 e X2.

Quadro 7 – Automotrizes e Trens-Unidades
Letras Descrição
CE
Carro motor TUE - cabine
CH
Carro motor TUDH - cabine
IE
Carro reboque TUE - cabine
IH
Carro reboque TUDH - cabine
MD
Automotriz Diesel-Elétrica
ME
Automotriz Elétrica
MH
Automotriz Diesel-Hidráulica
NE
Carro reboque TUE
NH
Carro reboque TUDH
OE
Carro motor TUE
OH
Carro motor TUDH

Guindastes, Autos e Equipamentos de Manutenção

Também os veículos da RFFSA utilizados nos serviços de manutenção já têm sua codificação, obedecendo à estrutura alfa-numérica completa, com 3 letras iniciais (como para os vagões); e seguindo as faixas numéricas definidas no Quadro 2.

O Quadro 8 indica as letras X1, X2 e X3 para guindastes, autos e equipamentos de manutenção:

Agradecimento

Agradeço aos funcionários da RFFSA pelos subsídios às codificações dos veículos e às informações referentes ao Sigo.

Quadro 8 - Veículos de manutenção
Letras Descrição
AAP
Alinhadora Automática Plasser
ALI
Auto de inspeção
ALS
Auto de serviço até 10 pass. + 2 reboques
ALU
Auto de Serviço utilitário
ATL
Auto de Linha
CLS
Caminhão de Linha
CPP
Compactadora de Lastro Plasser
DLP
Desguarnecedora de Lastro Plasser
GBK
Guindaste Burro Krane
GOR
Guindaste Orton
GVP
Guindaste de Via Permanente
MNP
Socadora Mínima 2 Plasser
RLK
Reguladora de Lastro Kershaw
RLP
Reguladora de Lastro Plasser
RTM
Reperfiladora de Trilho Plasser
SAP
Socadora Niveladora Alinhadora Plasser
SAT
Socadora Niveladora Alinhadora Tamper
SCP
Socadora Niveladora de AMV Plasser
SNP
Socadora Niveladora Plasser
SOP
Soldadora de Trilho Plasser
STK
Guindaste Takraf
TBL
Trem de Barra Longa
TMS
Trole Motor

Glossário

Kershaw – Fabricante de equipamentos de via permanente (EUA)

Plasser – Fabricante de equipamentos de via permanente (Áustria)

Tamper – Fabricante de equipamentos de via permanente (EUA)

TUDH – Trem-Unidade Diesel-Hidráulico

TUE – Trem-Unidade Elétrico

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