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A coisa se complica com as Dash-8. Para início de conversa, quem imagina algo como "C-30-8", já está enganado. A potência de 4 mil
HP faz dela uma "40". Além disso, a sigla é invertida: chama-se 8-40-C — e não C-40-8, como se poderia imaginar. Não sei explicar. Alguém
sabe?
Isso, quanto ao protótipo americano. Também existe por lá uma variedade chamada 8-40-CW, cujas características ainda não entendi. Segundo
David Bontrager, na Model Railroader de junho pp., é "the wide-nose Dash 8-40CW, the version with de North American cab". Parece fácil,
mas não arrisco entender.
No caso da EF Vitória a Minas, de bitola métrica, o peso devia ser mais distribuído, com dois truques de 4 eixos. Seria uma 8-40-D
— como a própria General Electric chegou a divulgar num de seus releases para a imprensa. Até que alguém caiu em si, e mandou divulgar
o release certo: é uma 8-40-BB.
Ou seja: Ela não tem 2 truques de 4 eixos (D-D), mas 2 truques duplos, cada um formado por 2 truques de 2 eixos (BB-BB), para melhor
se inscrever nas curvas da EFVM, inclusive pátios etc. Ao todo, são 8 eixos motorizados, com um motor elétrico por eixo.
Uma verdadeira loucura, daquelas que se tornaram a marca registrada da EFVM, uma das ferrovias mais eficientes do mundo — embora estatal,
brasileira, e de bitola métrica...
Fico imaginando como se poderia adaptar um modelo para reproduzir o protótipo da EFVM. Afinal, protótipos e modelos americanos são
8-40-C. Truques duplos BB não seriam difíceis, sem motorização. Mas, e com motorização?...
Para levar as 4 primeiras Dash-8 de Campinas, SP, à EFVM, foram cogitados os mais incríveis trajetos. Falou-se em levá-las pela antiga
Mogiana até o Triângulo Mineiro, e daí pela RFFSA, para Belo Horizonte. Claro, a linha de bitola métrica da Rede não suportaria o peso.
Falou-se em levá-las a Santos, pela descida da Fepasa / Sorocabana, e embarcá-las para Vitória. Não foi aprovado. Ou talvez tenha sido
apenas rebate falso.
Decidiu-se colocá-las sobre truques de bitola larga, sem motorização, para serem rebocadas pela Linha do Centro / Central do Brasil,
de Campinas a Belo Horizonte. O gabarito da linha (túneis) não permitiu.
Voltaram, e foram levadas pela Ferrovia do Aço.
Computadores
Falo sobre detalhes que me intrigaram (como devem ter intrigado outros companheiros), e o pouco que pude apurar, com ajuda de material
mandado pelo Carlos Missaglia, Kelso Médici, Flávio Lage, Alexandre Santurian, Jairo A. O. Mello e vários outros companheiros.
"Dash" (Traço) pode ter algum significado que me escapou até agora. Se alguém puder esclarecer mais, corrigir ou confirmar, agradeço
imensamente.
Também ignoro outros trajetos que tenham sido cogitados, entre Campinas e a EFVM, bem como detalhes de cada opção rejeitada.
O material promocional da GE concentra-se principalmente nos computadores de bordo, que tornam a Dash-8 uma locomotiva de última geração.
Em resumo, os micro-computadores colocam-se entre a máquina e seu operador (maquinista), servindo como elo de ligação, orientação e,
eventualmente, como barreira. Atuam em 3 áreas:
A) O sistema detecta qualquer falha que venha a ocorrer durante a operação. Um monitor de vídeo informa o operador, tão logo ocorra
a falha, e ainda fornece dados que lhe permitem determinar rapidamente a sua causa.
B) Controlando desde a patinagem das rodas, até os motores de acionamento do compressor, e outros auxiliares, o computador administra
o balanço energético da locomotiva, de forma a reduzir o consumo e manter sempre os níveis ideais de potência.
C) Mesmo quando tudo corre bem, o sistema mantém o maquinista constantemente informado sobre a temperatura, rotação, consumo de combustível
e tudo que se refere à performance da locomotiva. Esses dados são armazenados, também, para ajudarem na manutenção.
Invasão
A Dash-8 já não é uma novidade, exceto no Brasil.
A GE tem mais de 15 mil locomotivas, de todos os tipos, operando em todo o mundo. Somente Dash-8, já são mais de 1,4 mil operando em
ferrovias norte-americanas, canadenses e australianas. Portanto, já representa quase 10% da frota mundial da GE.
A Union Pacific — um dos maiores usuários da Dash-8 — recebeu mais de 250 máquinas, somente entre 87 e 89. Desde então, recebeu mais
uma centena, do tipo 8-40-CW, e já tem outras encomendadas. Juntamente com as SD-60 e SD-60-M da General Motors, as Dash-8 estão substituindo
a frota das SD-40-2 da Union Pacific (MR-9106/70).
Pouco destacado pelo release da GE no Brasil, é que as Dash-8 são as locomotivas mais potentes, atualmente em uso. Três Dash-8 fazem
o trabalho de cinco locomotivas SD-40-2 (idem).
A EF Carajás, da Cia. Vale do Rio Doce, com bitola de 1,60 metro, importou 4 locomotivas Dash-8 da GE norte-americana. Estão em operação
desde 89/Nov, com uma disponibilidade mensal acima de 95%. Acredito que sejam de rodagem C-C (Dash 8-40-C), mas não obtive confirmação.
O material promocional da GE do B informa que as 4 primeiras 8-40-BB fabricadas no Brasil foram entregues à EF Vitória a Minas (CVRD)
em 91/Jun/19. Não fica claro, mas creio que foi uma entrega "teórica". Só várias semanas mais tarde, as máquinas conseguiram chegar
à EFVM.
A encomenda inicial da EFVM totaliza 6 máquinas. As outras 2 estavam previstas para entrega "em julho próximo", passado (FRC).
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Nomenclatura GE (I)
Nilson Rodrigues
Centro-Oeste DC-20 (30-Out-1991)
A propósito da matéria sobre a nova locomotiva da Vale do Rio Doce, no DC-19/10, note que:
- A designação "U" refere-se a "Universal", que significa "construção padrão", ou "comum". Por isso é que se
nota que, entre uma U-23C e uma U-36C, quase não existem diferenças.
- A designação "Dash", seguida do número 7 ou 8, refere-se ao estágio da evolução tecnológica, a partir do
momento em que se iniciou a implementação de computadores no controle das locomotivas.
- Entre as nossas locomotivas, a primeira a receber essa designação foi a C-30-7 da EF Carajás.
- A designação "30" ou "40" refere-se à potência de tração, e não à do motor diesel.
Outra coisa que deve ser esclarecida é que a utilização de 4 eixos é uma necessidade em função da distribuição
da potência total para os motores de tração. Em função da bitola — e, conseqüentemente, do tamanho do motor de tração — , não
é possível transmitir os 4 mil HP só para 6 motores de tração.
Note também que a potência preferida pela EF Vitória a Minas, em função do número de locos X número de vagões,
é a de 4 mil HP. A EFVM vem "namorando" locomotivas nessa faixa, há bom tempo, desde a desativação das magníficas Krauss-Maffei.
É uma pena que estas últimas não tenham dado certo, e — pior — nenhuma tenha sido preservada.
N. R.: Agradeço os esclarecimentos e, principalmente, as correções. Na correria para "fechar" o DC-19, esqueci
de colocar a letra inicial em destaque, e também de assumir a responsabilidade pelas bobagens que andei falando... (FRC).
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Nomenclatura GE (II)
Mário Roberto C. Paiva
Centro-Oeste nº 63 (1º-Fev-1992)
Sobre a nomenclatura das locomotivas diesel-elétricas GE, a primeira codificação — usada até os anos 70 — iniciava-se
com a letra U, de Universal, nome da série de motores diesel que ela utilizava.
Seguiam-se dois dígitos indicativos da potência aproximada do motor diesel; e a letra B ou C, que designava
o tipo de truque, com 2 ou 3 eixos.
Não me parece correta a afirmação do Nilson (DC-20/5), de que a potência seria a dos motores de tração. Em toda
a literatura sobre o assunto, inclusive nas plantas das máquinas utilizadas em nossas ferrovias, a potência está sempre relacionada
aos motores diesel. E, embora qualquer motor possa ter sua potência expressa em HP, usualmente essa unidade de medida é utilizada
para motores de combustão interna.
A segunda série de locomotivas GE, lançada nos anos 70, teve uma segunda codificação, onde a letra do tipo de
truque passou para a frente, sendo seguida pelos dois dígitos da potência, e mais o dígito "7" — que caracterizava a nova geração,
criada na década de 70.
De forma similar, a nova série lançada nos anos 80 teve o dígito final substituído por "8".
Ocorre que nos EUA, quando uma nova série de determinado produto é lançada e distingüida da anterior por um
dígito acessório precedido por um traço (dash), é comum a imprensa especializada designar o novo produto pela expressão "Dash-n°".
Isso ocorreu no início dos anos 70, quando a EMD-GM modernizou sua linha, acrescentando o "-2" aos códigos GP-40,
SD-40 etc. Essas máquinas passaram a ser conhecidas como "série Dash-2".
Como o mesmo vinha ocorrendo com as máquinas da GE, esta resolveu, a partir do modelo de 4 mil HP, truques C-C
(produzidos para a Union Pacific), oficializar essa expressão. Assim, esta máquina já foi codificada como "Dash-8 40-C".
Diga-se de passagem, existe também um avião, concorrente do Brasília, que é conhecido como "Dash-8".
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