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Ponte ferroviária sobre o ribeirão Mata Burros, divisa dos municípios de Patos de Minas e Lagoa Formosa, MG, fotografada
por Paulo José de Souza. Ele informa que a obra foi concluída no início dos anos 50, mas jamais foi feito o aterro nas
cabeças da ponte. Poderia ter sido parte do trajeto previsto para a EF Paracatu? (Esta foto não fez parte da publicação no CO-23)

E.F. Paracatu - Desgarrada nos gerais
A estrada que não mudou o sertão

Délio Araújo - Centro-Oeste nº 23 - Dez-1987

A EF Paracatu, incorporada em 1931 à Rede Mineira de Viação (CO-22), foi uma dessas ferrovias brasileiras que nunca alcançaram sequer a cidade que lhes deu o nome e, em conseqüência, jamais obteve maior projeção econômica e histórica.

A costrução teve início em Velho da Taipa, estação da bitolinha de 76 cm da EF Oeste de Minas, na margem oeste do rio Pará, a 1/3 do caminho de Divinópolis a Paraopeba, no alto São Francisco.

Na Taipa, a EFOM tinha uma ponte sobre o rio Pará e um ramal até Pitangui.

O material rodante seguiu em truques de bitola 76 cm de Divinópolis a Velho da Taipa, pois a EF Paracatu teria a bitola de 1,00 m.

Em 1927, atingia Melo Viana, 154 km a oeste da Taipa e 24 km além de Dores do Indaiá. Em 1930, já dispunha de mais 57 km na direção oposta, de Água Suja, margem leste do rio Pará, até Pará de Minas, para ligar-se a Belo Horizonte. Faltava adaptar a ponte da EFOM sobre o rio Pará, para unir os dois trechos.

O trecho de Taipa a Bom Despacho (59 km) foi inaugurado em 31-Out-1921; até Dores do Indaiá (70 km) em 28-Dez-1922; até Melo Viana (24 km) em 29-Jul-1925; e de Água Suja a Pará de Minas, em 8-Dez-1931. O último trecho inaugurado, em 24-Abr-1937, atingiu a Barra do Funchal, 19 km a oeste de Melo Viana. Aí, a EF Paracatu estancou, pois deveria seguir para o norte até Paracatu, a 260 km em linha reta.

En 19-Jan-1931 o decreto nº 19.602 autorizou o arrendamento ao Estado de Minas da EFOM, Rede Sul Mineira (RSM), parte da EF Goiás em território mineiro e a EF Paracatu. Em 24-Jan-1931 é celebrado o contrato e forma-se a Rede Mineira de Viação (RMV). A EF Paracatu passou a ser denominada Ramal de Paracatu.

Hoje só resta o trecho de Pará de Minas a Velho da Taipa. Por vários anos, os trens ainda correram até Bom Despacho mas a siderúrgica que aí funcionava passou a usar caminhões (!). Dadas as sucessivas crises da indústria do ferro-gusa em Minas Gerais, talvez a indústria não exista mais.

  

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