A primeira ferrovia do Oeste do Paraná
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Resta apenas uma locomotiva a vapor da ferrovia da Companhia Mate
Laranjeira — incorporada em 1944 ao Serviço de Navegação da Bacia
do Prata (SNBP) e erradicada em 1959. Todo material foi a leilão
em 1963 e arrematado pela Fundição Guaíra, de Curitiba.
A loco sobrevivente, "fabricada há quase um século na Alemanha",
foi salva pelo austríaco Ernst Mann, que em 1963 era diretor não-remunerado
do Departamento de Turismo de Guaíra.
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Flávio R. Cavalcanti — Centro-Oeste nº 87 (1º-Fev-1994)

Foto: Capa da revista "Oeste", ano 5, n° 45 – Cascavel,
PR
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Encontra-se exposta na Praça Pres. Dutra, em Guaíra, ao sol e à chuva,
sujeita à ação dos vândalos e da ferrugem.
Porto Murtinho
A Cia. Mate Laranjeira surgiu de uma concessão imperial a Tomás Laranjeira,
por serviços prestados na guerra do Paraguai. A primeira sede foi em Concepción.
Posteriormente, Laranjeira associou-se à família Murtinho e à família
Mendes Gonçalves.
A Mate Laranjeira foi responsável pela fundação de Porto Murtinho (MS),
no rio Paraguai, de onde passou a embarcar chá para a Argentina. O transporte
do mate — colhido num vasto império extrativo no atual Estado de Mato
Grosso do Sul — exigia 800 carretas e 20 mil bois. Ao aproximar-se do
rio Paraguai, o terreno torna-se pantanoso, e a Mate Laranjeira viu-se
obrigada a construir um "aterro ferroviário" de 22 km, para chegar ao
porto.

Comboio na saída de Guaíra ("Obrageros, mensus e colonos")
No início de 1990, Luiz Octávio (ABPF-RJ) informava a descoberta dessa
extinta ferrovia, com bitola de 60 cm e 8 locomotivas a vapor. A loco
n° 2 ainda estava exposta na praça principal de Porto Murtinho; e vagões
gôndola e guindaste no Hotel Saladero.
Até a edição de 1980, o Atlas Geográfico Escolar do MEC ainda indica
o trajeto dessa ferrovia.
Guaíra
Em 1909, a Mate Laranjeira estabeleceu-se em Guaíra, para facilitar o
escoamento. Pelo novo esquema, a erva mate passou a ser levada em chatas
rebocadas por pequenos vapores, descendo os afluentes sul-matogrossenses
do rio Paraná até Guaíra. Daí, seguia por carroças de boi até Porto São
João, 45 km ao sul. Logo, construiu uma via férrea tipo decauville,
para vagões puxados por muares, para melhorar o trajeto.

Depósito de Porto Mendes ("Desafios, lutas e conquistas")
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Em 1913, adquiriu de Isnardi, Alves & Cia. uma concessão estadual
para construir uma ferrovia ligando o alto ao baixo Paraná. Com
isso, estendeu a linha até Porto Mendes e substituiu os muares por
locomotivas a vapor inglesas e alemãs, recondicionadas.
A ferrovia foi inaugurada em 1917/Jun/1° e, até a Revolução de
30, resistiu às pressões do governo para abrir seu uso ao público
— o que ocorreu com a posse de Getúlio Vargas. Durante a II Guerra
Mundial, aliás, Vargas criou o território federal de Iguaçu, por
motivos de segurança. Nessa época, a Argentina criou restrições
ao mate brasileiro e a empresa entrou em dificuldades, sendo encampada
pelo Serviço de Navegação da Bacia do Prata (SNBP).
A estrada da Mate Laranjeira esteve em foco nos anos 20, quando
os rebeldes paulistas de 1924 refugiaram-se no oeste do Paraná,
até receber o reforço gaúcho e formar a Coluna Prestes. Siqueira
Campos, um dos líderes revoltosos, é hoje homenageado com o nome
de uma cidade paranaense. Rondon, que os combateu, é homenageado
com o nome de outra.
Bibliografia
- Revista "Oeste", ano V, n° 45. Endereço: — Av. Brasil,
2318 / 205, Caixa Postal 1104, Cascavel, PR. Este exemplar me
foi remetido em 1990 por Floriano Peixoto, então residindo em
Foz do Iguaçu.
- "A Coluna Prestes", livro do brazilianist Neill
Macaulay, editora Difel. A saga dos revoltosos é apresentada em
diversos mapas ferroviários do Brasil dos anos 20.
- "Trem de Ferro — A Ferrovia no Contestado", Nilson Thomé
(ABPF), Editora Lunardelli, R. Victor Meirelles, 28, Tel.: 22-4637,
Florianópolis, SC.
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