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MemóriaViajei muito (por seis anos) neste trem, no percurso Cosipa (Piaçaguera) Santos (Valongo). Era confortável, macio e tinha ar condicionado que funcionava, a manutenção era feita pelo pesoal da Cosipa. No retão da Alemoa ele chegava a ultrapassar os carros que seguiam em paralelo pela Via Anchieta (no mínimo 120 km/h). Dependia do humor do maquinista. Este trem tinha incompatibilidade com rampas, mas no plano, maravilha... RicBraga O trem não sofreu modificações, apenas foi feita pequenas manutençoes de materiais de desgaste. Eles são (se ainda estão em condições de tráfego) muito confortáveis com suspensão a ar e molas helicoidais.. Os bancos largos reclináveis quase leito. Coonfortáveis sim. No caso da Cosipa, esta composição era reservada basicamente para as chefias e assessores técnicos (o Gorni pode confirmar). Saía por último de Santos pela manhã e primeiro de Piaçaguera a tarde. Viajar no húngaro era sinal de prestígio na usina. O problema é que ele era uma colcha de retalhos com peças de fornecedores de vários países, e fervia ao subir a serra do mar no sentido Rio-Sampa. Foram abertas claraboias para melhorar a refrigeração, mas sempre tinha que maneirar nas rampas para não ferver. No trecho Piaçagueara Valongo, rampa zero, ele mandava ver... RicBraga
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Trem Húngaro na Cosipa
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«Os malfadados trens da Ganz-Mavag encontram finalmente uma aplicação adequada: transportar metalúrgicos na baixada santista»
«São Paulo não quer: vai leiloá-los até o final do ano. O Rio Grande do Sul usou e não aprovou: vai despachá-los para Teresina, onde funcionarão como bondes. Mas não por muito tempo: a intenção é transferi-los depois de um ano e meio para Parnaíba, no litoral do Piauí. Esses enjeitados são os trens húngaros, luxuosa e cara aquisição que nunca deu à Rede retorno do investimento.
«O único lugar onde o húngaro acabou dando certo foi entre Santos e Cubatão, transportando trabalhadores da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista). Para surpresa de todos os que conhecem os problemas que ele costuma causar, a direção da empresa se declara perfeitamente satisfeita com seu desempenho e afirma que, se depender da Cosipa, a composição não sai de lá nunca mais.
«Os trens húngaros chegaram ao Brasil em 1974, no governo Geisel, trocados com a Hungria por cereais e café. Fabricados pela Ganz-Mavag, foram chamados na época de "aviões sobre trilhos", pela suntuosidade e conforto. São compostos de dois carros-motor, um carro pullmann e um carro buffet. Possuem motor diesel de 2.800 HP, suspensão hidromecânica, truques com suspensão em cada eixo, ar condicionado e poltronas reclináveis.
«Seis composições foram para o Rio Grande do Sul, destinados à linha Porto Alegre – Uruguaiana e seis para o percurso Rio - São Paulo, sendo depois transferidas para as linhas São Paulo – Santos e São Paulo – Campinas. Logo ficou evidente que a permuta fôra um mau negócio. O consumo de diesel era alto – dois litros por km – e o atendimento de encomendas de peças de reposição levava até três anos, já que os trens saíram de linha na Europa.
«Sem peças e com defeitos frequentes, as composições foram se degradando cada vez mais e nunca chegaram a cobrir em serviços o custo de US$ 587 mil cada. Por isso, quatro composições que estão em São Paulo, em péssimo estado, serão leiloadas até dezembro.
«Os trens só não deram trabalho para a Cosipa, que alugou da Rede em 1978 uma composição com uma locomotiva e quatro vagões, à qual foram adicionados mais quatro em 1979. Diariamente, o trem húngaro transporta 1.640 funcionários da companhia, fazendo em uma hora o trajeto de ida e volta nos 19 quilômetros entre Santos e a usina, em Cubatão. No total, funciona duas horas por dia em seis viagens – três pela manhã e três no final da tarde. No intervalo, entre 9h e 16h30, recebe manutenção da Cosipa. Apenas o maqinista e o chefe de trem são da Rede.
«As razões para o bom desempenho, segundo a empresa, são várias. Em primeiro lugar, o trajeto plano entre Santos e Cubatão corresponde às condições para as quais eles foram projetados. No Rio Grande do Sul, os aclives acentuados fizeram com que se tentasse dar o jeitinho brasileiro para que não gastassem tanto óleo diesel: foi retirado um dos dois carros tratores, o que ocasionou trincas nos boolsters (peças que unem a armação do truque).
«Além disso, logo que a Cosipa recebeu a composição, tratou de reformar a funilaria e o piso, além de dar uma nova pintura e nacionalizar boa parte dos sistemas elétrico e mecânico. Até o sistema de ar condicionado é agora nacional e, quando necessário, são adaptados relés e outras peças-chave. Daí a flagrante diferença entre a composição alugada e as que estão prestes a serem leiloadas pela Rede.
«O cuidado com o trem é tanto que, durante o ano passado, foi feita até uma campanha educativa na favela de Vila Siri, em Cubatão, bem próxima à linha, para conscientizar a população, principalmente as crianças, da importância do meio de transporte. Seis mil crianças participaram de concursos de desenho, palestras e viagens de trem. Segundo a Assessoria de Imprensa da Cosipa, a iniciativa conseguiu diminuir bastante os atos de vandalismo, que no passado obrigaram à substituição de 80% dos vidros-fumê dos carros.»
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