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Maquetes de ferreomodelismo
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Modelar árvores é uma das ocupações típicas do hobbista que não se contenta em rodar seus trens por ferrovias completamente divorciadas da realidade, quer por falta de cenário, quer por se cercarem de uns poucos morros, construções e arremedos de árvores, dispostos aleatoriamente sobre a base da maquete.
Além do prazer de criar — sem dúvida um bálsamo para o espírito — justifica essa atividade o fato de que as árvores comerciais via de regra são estereotipadas, inaturais, feias e caras.
Diversamente, as artesanais — quando feitas com zelo e carinho — são variadas, mais verossímeis e bonitas como se vê na foto da Capa, podendo ainda ser bem baratas se produzidas em quantidade.
Ao contrário do que muita gente pensa, a execução de árvores para maquete não requer talento especial, mas apenas paciência, capricho e certa dose de observação e bom gosto.
E, desde que o material necessário esteja à mão, é possível fazer umas 50 ou 60 delas num único final de semana, usando arame ou fio elétrico como elemento estrutural.
Para o esqueleto de árvores Z ou de pequenas árvores N, uso fio de 0,1 a 0,5 mm de espessura, retirado de bobinas de transformadores queimados. O mostrado na foto n° 1 é novo, n° 36, de 0,127 mm.
Para árvores N mais encorpadas ou pequenas árvores HO, uso fio n° 30, de 0,25 mm, retirados dos fios flexíveis usados nas instalações elétricas; ou arame n° 28, de 0,3 mm.
Para árvores HO maiores, o mais indicado é o arame n° 26, de 0,4 mm de espessura.
1 pedaço de ripa de tamanho adequado
2 pregos 8x8 ou 10x10
Fio elétrico ou arame da espessura indicada ao caso
Fragmentos de espuma ou líquen, verdes
Pedaços de isopor de pelo menos 2 cm de espessura, cortados em tronco de pirâmide quadrangular
Quadrados de cartolina de lado no mínimo 1 cm maior que o da base das pirâmides de isopor
2 recipientes de boca larga de 500 ml — latas vazias de Nescau, por exemplo
2 frascos de 250 ml de Modeling Paste, da Acrilex, encontrada em casas fornecedoras para artistas plásticos
Tinta latex (Suvinil, Coraltex etc.) nas cores branca e preta
Corante universal ou específico para tinta latex (Coralcor, Xadrez, Suvinil Corante etc.) nas cores verde e marrom
Pó de serragem ou de espuma na cor verde desejada
Cola branca, Matte Varnish da Acrilex, pinça, pincel redondo pequeno, polvilhador e pulverizador pequenos (cf. "Engenhocas e utensílios para decorar mini-ferrovias", CO-84/16, foto n° 1)
1 — Marca-se na ripa a distância a que os pregos deverão ficar um do outro, a qual é determinada pela altura da árvore que se deseja modelar, obedecida a escala em que se está trabalhando.
Na foto n° 1, A, essa distância é de 3 cm, própria para árvores Z de 5 a 7 metros de altura. Perde-se metade desses 3 cm com a torcida dos fios, a curvatura dos ramos e a parte introduzida no isopor. Essa perda é compensada e complementada pela copa, de modo que no final a arvorezinha terá de 2,5 a 3,5 cm de altura na maquete.
Para se obter o mesmo resultado nas escalas N e HO, a distância entre os pregos será cerca de 4 e 7,5 cm, respectivamente.
2 — Introduzem-se os 2 pregos nos locais marcado na ripa, deixando cerca de 8 mm de fora, e cortam-se-lhes as cabeças para facilitar a retirada da meada de fios no momento oportuno.
3 — Num dos recipientes de boca larga prepara-se a Modeling Paste, diluindo-a em água na proporção de 1 para 1/3, ou seja, um frasco e meio de massa em meio frasco de água, totalizando 500 ml. Mexa bem com uma vareta até convertê-la numa pasta semi-líquida.
4 — Mistura-se a gosto o latex preto com o branco, a fim de obter um cinza de médio a escuro, ao qual se acrescentam gotas dos corantes verde e marrom para matizá-lo, também a gosto. Despeja-se o resultado dessa mistura no outro recipiente de boca larga, até a metade, completando com água e mexendo bem para homogeneizá-la.
5 — Dilui-se 1 parte do Matte Varnish — que é um gel — em 3 partes de água e, depois de mexer muito bem, coloca-se uma parte desta solução no vaporizador.
O procedimento para a modelagem de árvores de arame ou fio elétrico é o seguinte, de acordo com a seqüência mostrada nas fotos n° 1 e 2:
A — Com a ponta presa num dos pregos, passa-se o fio ou arame de um para outro, sucessivamente, tantas vezes quantas o porte da árvore e o número de galhos exigirem. O importante é que a operação termine no mesmo prego por onde começou, de modo a obter uma meada com número par de fios — no caso, 12 para uma árvore Z de porte médio e 6 ramos principais.
B — Tira-se a meada dos pregos, dá-se uma boa torcida numa das extremidades para formar o tronco, e apara-se a outra para libertar os fios, que deverão ser torcidos 2 a 2, deixando nas pontas uma pequena forquilha para facilitar a fixação dos fragmentos de espuma ou líquen que irão compor a copa.
Estes ramos ainda podem ser torcidos em grupos de 2 ou 3 para simular a continuação do tronco ou galhos mais grossos.
A maioria das árvores — principalmente as frutíferas e as urbanas — não apresenta raízes expostas, mas se o hobista as desejar pode separar uns 3 ou 4 fios até 5 mm da extremidade inferior e dar-lhes o formato de raízes.
C — Concluído o esqueleto da árvore, introduz-se a extremidade inferior — com um pouco de cola branca — no ápice de um dos troncos de pirâmide, previamente furados para este fim.
No final, quando a árvore for retirada do isopor para o "plantio", seu "pé" poderá ser umedecido para amolecer a cola e facilitar a remoção dos fragmentos eventualmente aderidos a ele, com um canivete, faca Olfa ou instrumento assemelhado.
D — Segurando o suporte de isopor pela base, introduz-se a estrutura da árvore na Modeling Paste, retirando o excesso com o pincel.
Esta operação deve ser repetida pelo menos uma vez, com intervalos de 60 a 90 minutos, principalmente quando a estrutura é de fio envernizado (como o da foto), no qual a pasta não pega com facilidade.
Depois do segundo o tronco e os galhos tendem a engrossar cada vez mais, a cada banho, podendo ser trabalhados a pincel para simular árvores retorcidas ou encarquilhadas.
E — Decorridos 60 ou 90 minutos da última demão de pasta, mergulha-se a estrutura na tinta cinzenta, para lhe dar cor. O excesso de tinta é eliminado também a pincel, mas deve-se evitar um segundo banho para não afetar as manchas esbranquiçadas que conferem um ar natural ao tronco e aos ramos.
F — Três ou 4 horas após a pintura já se pode formar a copa da árvore, colando com cola branca os pedaços de espuma ou líquen nas forquilhas dos ramos. No caso da espuma nunca se deve usar um só pedaço grande para a copa pois, por mais que seja picado e repicado — com os dedos ou pinça — o efeito é sempre negativo.
G — No dia seguinte fixa-se o suporte de isopor num quadrado de cartolina — com fita adesiva dupla face, p. ex. — deixando abas que permitam segurar o conjunto com a pinça. Feito isso, vaporiza-se a copa com o Matte Varnish. Depois de retirar com pincel o que respingou nos ramos e tronco, polvilha-se o pó de serra por toda a copa da arvorezinha — na parte superior, na inferior e nas laterais.
H — O líquen proporciona à folhagem um efeito muito mais natural do que a espuma (foto n° 2). Infelizmente esse material não é beneficiado e comercializado no Brasil, de modo que só mediante importação se pode ter acesso a ele.
O "plantio" das árvores de arame é muito simples: — Basta furar no local escolhido com um furador do mesmo diâmetro do "pé" a ser enterrado. Pode-se usar um prego montado na ponta de uma vareta.
O "pé" da árvore é introduzido no orifício com um pouco de cola branca. O excesso de cola não precisa ser removido pois será absorvido pela "grama" ao redor. Em caso de dúvida, pode-se polvilhar um pouco de pó de serra, verde — ou marrom, se for o caso —, sobre ela.
Se o "pé" não ficar folgado no orifício, no dia seguinte a árvore estará tão firme que a folhagem — se necessário — poderá ser retocada.
1 — A tinta latex e o Matte Varnish costumam sedimentar, razão pela qual devem ser remexidos antes de usar, sempre que deixados em repouso por mais de 4 ou 5 horas. A Modeling Paste é bem mais estável, mas mesmo assim costumo revolvê-la toda vez que a deixo sem uso por mais de 24 horas.
2 — Na revista Globo Ciência de 1991/Ago (pág. 42 a 45) encontra-se uma reportagem sobre os líquens da Mata Atlântica, no sul do Estado de São Paulo. Pelas fotos coloridas que a ilustram pude deduzir que possuímos um gênero, o Cladina, muito semelhante ao líquen importado, que antigamente adquiria do Sidnei Paulo Diana, na Brinquedos Raros, R. Livramento, 285, São Paulo, SP, Tel.: 011-884-1202 e 884-0145, e que agora peço diretamente à Discount Train Warehouse, nos EUA.
Todavia, quem tiver a oportunidade de colher nosso líquen — se é que é permitido — poderá beneficiá-lo e colori-lo de acordo com a seguinte receita de Dave Frary em "How to Build Realistic Model Railroad Scenery", 1ª edição, páginas 50 a 52:
Limpe bem o líquen, inclusive de suas partes escuras
Leve ao fogo, numa vasilha grande, uma solução com 3 partes de água e 1 de glicerina barata, na qual se tenha dissolvido corante para tecidos (Tingecor ou Vivacor da Guarany, p. ex.) na cor desejada, na proporção indicada pelo fabricante. Comece pelos tom mais claro, pois o mesmo banho poderá ser reaproveitado para os mais escuros
Quando o líquido chegar ao ponto de fervura junte o líquen — tanto quanto a solução comportar — deixando ferver por 5 minutos.
Retire a vasilha do fogo e deixe esfriar
Quando a solução estiver relativamente fria, calce luvas de borracha e retire o líquen aos bocados, espremendo-os bem sobre a própria vasilha para não perder tintura, e espalhe-os sobre folhas de jornal para secar, revirando-os o mais que puder
Uns 2 ou 3 dias depois, quando já não tingir seus dedos, o líquen poderá ser empacotado em sacos plásticos
A tintura que sobrou poderá servir para novo tingimento, desde que se acrescente mais um pouco de glicerina e corante, de preferência mais escuro que o anterior
3 — As dicas sobre o "plantio" de árvores supõem um terreno macio, feito de papel engessado sobre papelão corrugado ou isopor. Se o colega descuidado aplicou o papel engessado sobre madeira, terá que fazer o furo com uma broca...
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