Trens de passageiros da SR-2 RFFSA - 1993
Viagem de Barra Mansa a Lavras
Antônio Augusto Faria
Centro-Oeste nº 77
— Abril 1993
O Roteiro de Férias (CO-73) omitiu a existência do trem
de passageiros que sobe a serra da Mantiqueira, entre Barra Mansa, RJ,
e Lavras, MG, na linha-tronco da SR-2 / RFFSA.
Esse trem circula só 1 vez por semana, em cada sentido.
Sai de Lavras na segunda-feira, às 8h15, chegando a Barra
Mansa às 17h. Retorna na sexta-feira, saindo de Barra Mansa
às 6h e chegando a Lavras às 14h45. Informações
podem ser obtidas na estação de Lavras, pelo telefone
035-821-4500.
Fiz a viagem de Barra Mansa a Lavras em 26/Fev pp.
A composição foi tracionada por uma locomotiva G-12
(n° 4150-8E) puxando 7 carros: — 3 de segunda-classe, 2 de primeira,
1 restaurante e 1 bagageiro-correio, todos de aço-carbono.
A paisagem é muito bonita, principalmente na subida da serra,
entre Glicério, RJ (a 14 km de Barra Mansa) e Augusto Pestana,
MG (a 73 km) — mata Atlântica, rios, vales, algumas cachoeiras.
Houve até um trecho de neblina — inesperado, para mim —,
após Falcão, RJ (a 41 km de Barra Mansa).
O trem estava logo abaixo da neblina; em seguida, andou algum tempo
dentro da neblina; e finalmente, logo depois de Passa Vinte, MG
(a 52 km de Barra Mansa), já no alto da serra, o trem ficou
acima da neblina.
De Augusto Pestana até Arantina, MG (a 110 km de Barra Mansa)
— início da descida da serra —, a paisagem continua bonita.
E de Arantina a Lavras, MG (a 285 km de Barra Mansa), a paisagem
— se não tem mais a mesma beleza — é bastante simpática,
com o trem passando entre fazendas e pequenas cidades.
Boa parte do percurso — principalmente na serra da Mantiqueira
— segue bem próximo à Ferrovia do Aço, avistada
inúmeras vezes.
O trecho de Barra Mansa a Arantina pareceu-me de bom potencial
para exploração turística.
O serviço de bar e restaurante é eficiente. Além
de água mineral, café, cerveja e refrigerantes, há
refeições, salgados e doces — tudo muito simples,
mas satisfatório em preços e qualidade.
Os funcionários da ferrovia são atenciosos: — Os
do restaurante, o chefe do trem e seu auxiliar, e o pessoal das
estações em Barra Mansa e Lavras.
O único senão foi a falta d'água nas instalações
sanitárias dos carros.
Notas de viagem
Barra Mansa parece ser o paraíso das locomotivas General Motors tipo G-8 e G-12. Havia 3 locos G-8 (n° 4001, 4052
e 4059) manobrando. Outras 3 locos, paradas a maior distância, não pude distingüir se eram G-8 ou G-12. Havia também
alguns carros de passageiros e muitos vagões de carga.
Nosso trem cruzou com 4 cargueiros, todos tracionados por locomotivas U-20C (General Electric), em duplex e triplex.
Em Augusto Pestana, ainda há um triângulo de reversão.
Em Engenheiro Behring, MG (5 km antes de Lavras), existe o entroncamento da linha com os ramais de Lavras a Três Corações,
MG; e de Lavras a Divinópolis, MG. Havia no local vários carros de passageiros e uma locomotiva GE pequena — tipo U-5B ou U-6B.
Na oficina de Lavras, estavam algumas locomotivas U-20C e G-12. No pátio, 1 carro suburbano de passageiros e 1 dormitório-cabine
— este último, em um trem de socorro.
As estações tiveram seus pátios aumentados, para o cruzamento de trens cargueiros longos. Foram até
construídas 2 novas estações com esta finalidade: — Anísio Braz, RJ, logo após Barra Mansa; e Carvão,
MG, entre Augusto Pestana e Arantina.
Mas, talvez por não comportarem pátios maiores, algumas
estações foram abandonadas: — Glicério e Joaquim
Leite, no Estado do Rio; e Rutilo e Morangal, em Minas.
Em vez de simplesmente abandoná-las, a RFFSA poderia cedê-las
às prefeituras, para aproveitamento como escolas, postos de saúde,
creches, centros sociais etc. A Rede poderia, inclusive, exigir que uma
sala fosse destinada à preservação da cultura ferroviária.