E por falar em Angra...Délio Araújo — Centro-Oeste DC-14-15 (30-Jun-1991)O companheiro Eliezer Magliano informa, no DC-12/13, que a viagem de Angra dos Reis a Barra Mansa pode levar até 6 horas. No sentido contrário, de Barra para Angra, cheguei a fazer o percurso em 4h30min, num trem de gusa, com parada em Lídice para "cortar" o trem e deixar, ali, a metade dos vagões. Depois, a tração voltava à escoteira (sozinha), de Angra a Lídice, para descer com a outra metade.
Por essa época, a então Viação Férrea Centro-Oeste tinha até capacidade ociosa — e muita! O chefe da estação era o sr. Orlando Sá Pereira, amante do fumo em corda; por 3 anos, enviei-lhe fumos de Goiás, pois os apreciava muito. O encarregado da ampliação do porto era o sr. M. Pedro Lopes; o administrador do porto era o dr. Camerino — e seu pai, também Camerino Teles de Souza, era dono de uma empresa de armadores. Também por essa época, estavam montando a ponte rolante destinada a descarregar dos vagões as chapas que deveriam chegar de trem, para o estaleiro Verolme. A ponte foi inaugurada mais tarde e, em 70/Jan, já estava abandonada, após breve uso, pois o asfalto direto Usiminas - Três Rios - Barra do Piraí - Barra Mansa tornou-se mais barato e 3 vezes mais rápido do que o percurso ferroviário — além de já entregar as chapas dentro do estaleiro. Lá por dez/1967 e jan/1968, ainda havia vaporosas manobrando em Angra. Era delas o domínio exclusivo do trecho estação - porto. Uma era 4-6-0, leve, e a outra era a n° 400, uma 2-8-0, que eu havia conhecido 23 anos antes, como manobreira dos trens de passageiros da RMV em Belo Horizonte. Dirigi a n° 400 várias vezes, escondido, na capital mineira, devido à amizade com os ferroviários da RMV. Em 07-mar-1977, a 4-6-0 n° 233 estava apagada, no porto, para eventuais manobras, sem o farol dianteiro. Por volta de 1966, desapareceu a exportação de café por Angra dos Reis. A estatística que o dr. Camerino Filho forneceu, se a memória não me engana, foi de 1,37 milhão de sacas em 1960, decaindo, ano a ano, para 134 mil em 1965 e zero em 1966. Quanto à linha não-concluída para Mangaratiba, havia um documento, um livro, no convento dos padres carmelitas em Angra, afirmando que a EF Oeste de Minas teve um plano visando chegar ao Rio de Janeiro via Angra dos Reis — assim como a EF Sapucaí pretendera chegar ao Rio por Barra do Piraí. A EFOM chegara, mesmo, a melhorar 200 ou 300 metros do leito abandonado, na direção de Mangaratiba, e também abandonara a empreitada. No caso da EF Sapucaí, esta comprara a linha Barra do Piraí - Piraí - Passa Três e procurou chegar ao Rio pelo sudoeste, com traçado por onde, hoje, corre a Av. Niemeyer, do Leblon a São Conrado. A Sapucaí e a EFOM poderiam, de mãos dadas, ter seguido uma rota só, ao invés de dividirem esforços. Quem me direcionou ao livro foi o frei Marcos, superior do convento, na virada de 1967 para 68. Espero, em breve, acrescentar alguma coisa sobre a eletrificação da VFCO no trecho de Angra.
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