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    EFMM - Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Aconteceu nas Geraes

Alberto R. Cavalcanti — Centro-Oeste n°65 (10-Abr-1992)

O "causo" aconteceu nas Gerais. Afinal, ninguém melhor que mineiro pra gostar de trem. Quem me contou foi o Mauro Chico, cidadão de Minas e do mundo.

Deu-se ali pelo final dos anos 60, quando as ferrovias ainda não haviam sido tão acachapantemente "derrotadas" pelas rodovias em nosso Brasil varonil. Era também a época em que o telejornalismo começava a passar por grandes mudanças, com a introdução de novas câmaras portáteis, agilizando a reportagem "externa". Até então, os telejornais eram muito mais "recortagem", do que reportagem: os redatores recortavam matérias publicadas pelo jornal do dia.

Para completar, era também a época em que a nova regulamentaçâo da profissâo do jornalista obrigava as empresas a contratarem profissionais formados em faculdades.

Pois deu-se que, numa emissora de Belo Horizonte, o chefe de reportagem pautou um "foca" — jornalista novato, recém-formado — para fazer um "o povo fala", sobre o gosto do mineiro do interior pelo trem.

Um grande "passeio", nas pequenas cidades, era ir assistir à chegada do trem na estação (Milton Nascimento, não por acaso um mineiro, conta bem o clima, na composição "Três Pontas").

E lá se foi nosso foca, acompanhado de camera-man e demais membros da equipe de "externa" — com a volumosa traquitana que era, então, o equipamento de reportagem — fazer flagrantes e reportagens da chegada do trem a uma cidadezinha não muito distante da capital.

Nervoso, pela inexperiência — e, por isso mesmo, consciente da enorme importância de sua matéria para o progresso do telejornalismo pátrio —, o aprendiz só conseguiu bolar duas perguntas, de santa ingenuidade:

A primeira — "O sr. (ou srª) gosta de vir à estação pra ver o trem?" —, recebia resposta positiva unânime, variando apenas nos complementos:

— Sim! Venho sempre que posso.

— Adoro! Não perco um.

— É nossa maior diversão por aqui, sô!

A criatividade ficava mesmo para a segunda pergunta:

— E o sr. (ou srª) gosta mais quando o trem entra, ou quando o trem sai?

Sossegue, leitor amigo. Naquele tempo, o repórter era ingênuo, e os entrevistados também. Uma normalista viçosa, por exemplo, declarou com entusiasmo que gostava mais quando o trem entrava, querendo com isso — decerto — dizer que preferia assistir à chegada do trem. Já um senhor empertigado não titubeou: preferia quando o trem saía.

E assim prosseguiu o repórter, cada vez mais seguro, até que topou com idosa senhora — cabelos de neve e rugas inúmeras — que, piscando o olho, inovou:

— Ah, meu filho, eu gosto mesmo é da manobra!...

  

 
 
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