CPEF - Companhia Paulista de Estradas de Ferro
A eletrificação da Paulista
Jorge Hereth — Centro-Oeste nº 75 (1º-Fev-1993)
Durante a I Guerra Mundial (1914-1918), a Cia. Paulista de Estradas
de Ferro (CPEF ou CP) atravessou sérios problemas de combustível.
Como o Brasil apoiava os países da Entente, a marinha alemã interceptava
qualquer transporte procedente dos países da Entente, ou destinado
ao Brasil. E a CP adquiria seu carvão mineral do País de Gales.
Assim, não recebia carvão, ou recebia-o esporadicamente.
A direção da CP decidiu resolver o problema definitivamente, de
modo que nunca mais voltasse a ocorrer. O carvão brasileiro não
representava solução. Então, as locomotivas receberam modificações
para aceitarem lenha como combustível.
Esta solução revelou-se insuficiente para as linhas principais
da CP, entre Jundiaí e Bauru; e entre Itirapina e Rincão. A direção
da estrada reagiu, então, decidindo eletrificar os 2 troncos.
As obras de eletrificação começaram em 1919, e 3 anos depois, em
1922, já começava a operação do serviço em corrente contínua de
3 mil Volts.
A rapidez com que a CP eletrificou seus 2 troncos principais, obteve
admiração internacional.
Observa Charles S. Small, no "Brazilian Steam Album III": — "Com
exceção de um grupo de manobreiras Baldwin 0-6-2 ST, o vapor foi
relegado ao serviço de linhas secundárias e/ou de bitola métrica"
(pág. 18).
Ao inaugurar a tração elétrica, a CP possuía 16 locomotivas elétricas.
Em 1926, já tinha 26. Em 1930, eram 46. Em 1948, o número havia
crescido para 76. Em 1971, a CP transformou-se na Fepasa, com algo
entre 86 e 91 locomotivas elétricas. Entre 1981 e 1987, a Fepasa
adquiriu mais 20 elétricas para operarem nas linhas da antiga Paulista.
Existem dúvidas, se o motivo da acelerada eletrificação da CP foi
realmente aquele — ou se serviu só para disfarçar motivos de ordem
econômica.
Outras estradas de ferro brasileiras também foram afetadas pela
I Guerra Mundial, e aqueceram suas locomotivas a vapor com lenha,
sem encontrar sérios problemas.
Pode-se alegar que estas ferrovias operavam linhas nas bitolas
métrica e estreita — enquanto a EF Central do Brasil jamais desistiu
do carvão nos seus troncos principais, Rio - São Paulo, e Rio -
Belo Horizonte, que também eram de bitola 1,60 m, como os da CP.
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