Centro-Oeste - Trens, ferrovias e ferreomodelismo
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Ferrovias

• Locomotiva GE U23C nº 3902 RFFSA - 8 Out. 2017

• Trem Vitória - Belo Horizonte - pontos de venda - 2 Out. 2017

• Horários do Trem Vitória - Belo Horizonte - 28 Set. 2017

• Litorinas Budd RDC no Brasil - 27 Set. 2017

• Trem das Águas - ABPF Sul de Minas - 15 Set. 2017

• Fases de pintura das locomotivas English Electric EFSJ / RFFSA - 2 Mai. 2017

• A Velha Senhora no trem da Luz a Paranapiacaba (1985) - 22 Fev. 2017

• Horários do Trem turístico S. João del Rei - 6 Dez. 2016

• Trens especiais Curitiba - Pinhais (1991) - 29 Nov. 2016

• Trem turístico a vapor Curitiba - Lapa (1986) - 26 Nov. 2016

Os “antigos” trens turísticos a vapor da RFFSA - 21 Nov. 2016

   

EFMM - Estrada de Ferro Madeira Mamoré
A Coleção Dana Merrill:
Momentos decisivos para sua recuperação


 
Catálogo da exposição
Ferrovia Madeira-Mamoré: Trilhos e Sonhos – Fotografias
BNDES e Museu Paulista da USP
cortesia: Carlos E. Campanhã
Silvia Maria do Espírito Santo*

Quarenta anos após a realização do trabalho de documentação fotográfica das obras da ferrovia Madeira-Mamoré pelo fotográfo Dana Merrill, uma caixa contendo negativos de vidro e acetato foi encontrada em São Paulo. Não se sabe exatamente quando ela foi trazida por Rodolfo Kesselring, engenheiro alemão que trabalhou na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Em 1956, as imagens foram entregues pelo filho de Kesselring ao repórter fotográfico Ari André, que por sua vez as encaminhou ao jornalista Manoel Rodrigues Ferreira, engenheiro, escritor e sertanista. De um conjunto de negativos cujo total alcançava mais de mil registros, incluindo aspectos da fauna e da flora amazônica, o critério de seleção de Manoel Rodrigues Ferreira foi escolher as imagens referentes às fases da construção da estrada de ferro. Naquele primeiro momento, decisivo para a permanência das imagens fotográficas da ocupação amazônica, o olhar de engenheiro selecionou as fotografias que não se poderiam fazer hoje, em suas palavras. Os negativos restantes perderam-se. Quanto à autoria das fotografias, nada se sabia. Os negativos eram numerados mas não assinados.

Esses negativos foram o ponto de partida para que Manoel Rodrigues Ferreira documentasse, em 17 reportagens, contendo cerca de 100 imagens, aquela desconhecida história da Amazônia. O sucesso das matérias colaborou para aumentar em 20% a tiragem do jornal A Gazeta, no qual trabalhava. Em 1959, quando esteve em Rondônia, Manoel Rodrigues Ferreira teve a oportunidade única de consultar os arquivos da ferrovia, que seriam incinerados anos mais tarde, por ocasião da sua desativação. Naquele momento, a editora Melhoramentos propõe a Manoel Rodrigues a realização de um livro. Em 1959, é então publicado A Ferrovia do Diabo, uma das mais completas pesquisas sobre a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Três anos após a publicação, Manoel Rodrigues Ferreira tomou conhecimento do livro escrito por Frank Kravigny, The Jungle Route (1940). Kravigny havia sido o escrevente e datilógrafo da empresa May, Jekyll & Randolph e em seu livro constavam outras imagens inéditas, inclusive do fotógrafo Dana Merril. Assim Manoel pôde, finalmente, identificar a autoria do conjunto de negativos em seu poder.

A desativação da ferrovia, o desprezo e o sucateamento de seus componentes, no início da década de 70, mobilizaram Manoel Rodrigues Ferreira para a luta pela preservação do patrimônio. A divulgação da venda da ferrovia como sucata para uma Companhia Siderúrgica de São Paulo surte efeito e a venda é sustada, mas não a desativação da ferrovia.

Durante toda a década de 70, entidades culturais protestam contra o descaso do governo federal para com a Ferrovia Madeira-Mamoré. Em 1979, o poder público decidiu pela preservação de um trecho de 25 Km, destinado ao uso turístico. A movimentação em torno do tema chamou a atenção do extinto Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) e atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que entrou em contato com Manoel Rodrigues Ferreira solicitando o empréstimo dos negativos para reprodução. Os negativos são duplicados por Hans Flieg, fotógrafo profissional, e fornecidos ao fotógrafo José Romeu Caccione, funcionário do Sphan. Em 1980, a convite desse órgão, Manoel Rodrigues Ferreira realiza um seminário sobre a ferrovia em Porto Vellho, onde foram expostas, pela primeira vez, as imagens de Dana Merrill no local de sua realização.

Meu contato com Manoel Rodrigues Ferreira deu-se em 1993, por ocasião da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no Museu da Imagem e do Som / SP, na qual foram divulgadas 70 imagens da coleção e imagens produzidas pelo fotógrafo Marcos Santilli. Dessa relação de trabalho e pesquisa, criou-se o espaço para o segundo momento decisivo para a trajetória da coleção. Três anos após a exposição, em 1996, fomos procurados por Manoel Rodrigues Ferreira, que, preocupado com a coleção, nos solicitou ajuda para dar um destino aos negativos. Elaboramos, então, o projeto de recuperação, difusão e produção cultural da imagens da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a partir de duas fases: a aquisição e o tratamento documental e físico da coleção e, posteriormente, a elaboração de produtos culturais. A escolha do local que reunisse as condições ideiais para preservação e pesquisa das imagens recaiu sobre o Museu Paulista da Universidade de São Paulo. Durante anos apresentamos o pojeto, sem sucesso, a várias instituições bancárias, visando um possível patrocínio.

O segundo momento decisivo, o de aquisição pelo museu, só foi finalizado, com êxito, graças à divulgação do prejto feita pelo jornalista Jotabê Medeiros, num artigo no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tomou conhecimento e se predispôs a patrocinar a doação ao Museu Paulista da USP através do Programa Nacional de Apoio à Cultura (categoria Mecenato), do Ministério da Cultura, em 1999.

Os 189 negativos hoje pertencem a um museu público facilitador da pesquisa e do conhecimento dessa história, que possui pelo menos três interpretações: a do conflito, a da ocupação amazônica e a da experiência humana do trabalho. São imagens de construção de uma ideologia moderna, onde o referente foi o progresso, e que custou a vida de milhares de homens de diferentes etnias.

A coleção está aberta. Aguardamos um terceiro momento, facilitador de outros produtos culturais que ampliem o conhecimento dessa parte inesquecível da História Brasileira.

*Sílvia Maria do Espírito Santo é socióloga e mestranda pela Escola de Comunicações e Artes da USP

   

Bibliografia

• A Gretoeste: a história da rede ferroviária GWBR - 25 Abr. 2016

• Índice das revistas Centro-Oeste (1984-1995) - 13 Set. 2015

• Tudo é passageiro - 16 Jul. 2015

• The tramways of Brazil - 22 Mar. 2015

• História do transporte urbano no Brasil - 19 Mar. 2015

• Regulamento de Circulação de Trens da CPEF (1951) - 14 Jan. 2015

• Batalhão Mauá: uma história de grandes feitos - 1º Dez. 2014

• Caminhos de ferro do Rio Grande do Sul - 20 Nov. 2014

• A Era Diesel na EF Central do Brasil - 13 Mar. 2014

• Guia Geral das Estradas de Ferro - 1960 - 13 Fev. 2014

• Sistema ferroviário do Brasil - 1982 - 12 Fev. 2014

  

Ferrovia Madeira-Mamoré: Trilhos e Sonhos – Fotografias
BNDES e Museu Paulista da USP
Apresentação | Os trilhos e as trilhas da Madeira-Mamoré
Trilhos na floresta: a Madeira-Mamoré
A Coleção Dana Merrill: Momentos decisivos para sua recuperação
O fotógrafo Dana Merrill | As coleções fotográficas do Museu Paulista - USP
Coleção de negativos de Dana B. Merrill sobre a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
Créditos
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré - EFMM
Cronologia | Tratado de Petrópolis | Fotos da construção | Panorâmica de Porto Velho
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