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Estrada de Ferro Leopoldina
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Antigamente, quem vinha do Rio de Janeiro de trem pela Central do Brasil, encontrava no percurso vários ramais e entroncamentos ao longo do trajeto.
Em Juiz de Fora, km 275 da Central, podia-se ver à direita uma imponente estação em estilo antigo, com relativo movimento — alguns carros e vagões parados e, quem sabe, até mesmo uma composição pronta para partir.
Pois este era o ponto final de um ramal da Leopoldina (extinto em meados dos anos 70), vindo de Furtado de Campos, importante entroncamento a 80 km de Juiz de Fora. O último trem de passageiros do ramal saiu em 31/jan/1972.
Esse trem — que podia ser o expresso de São Geraldo — partia de manhã, subia os morros, contrafortes de Juiz de Fora, e entrando à direita chegava a Comendador Filgueiras, já no alto da serra.
Seguia por Coronel Pacheco, Goianá, Rio Novo e Furtado de Campos, onde encontrava um dos maiores ramais da Leopoldina.
Edmundo Siqueira, em seu "Resumo Histórico de The Leopoldina Railway Co. Ltd.", diz que "esta estrada tem sua origem no contrato de 1º/set/1880, que cogitava da construção de uma estrada de Juiz de Fora ao distrito de Piau. O decreto nº 8.130, de 11/jun/1881, aprovou os estatutos da Cia. Estrada de Ferro de Juiz de Fora a Piau".
"Em 09/out/1884 foi inaugurado o tráfego, com as estações de Juiz de Fora, Chácara, Comendador Filgueiras, Água Limpa e Lima Duarte. Em 1888, estava atingindo Rio Novo, que na época chamava-se Piau-Rio Novo".
"Em 12/ago/1884, por contrato, foi essa estrada vendida à Cia. Estrada de Ferro Leopoldina, em cujo poder se conservou até 1896". A partir desta data, os debenturistas da antiga Cia. Juiz de Fora a Piau retomaram na Justiça o ramal, que após muita peleja será propriedade perpétua da Leopoldina em junho de 1913.
Inicialmente, a quilometragem começava em Juiz de Fora e terminava em Piau-Rio Novo, quase 70 km depois. Quando da Leopoldina, a quilometragem iniciava-se no km 296, em Furtado de Campo — 4 km após Rio Novo — e findava em Juiz de Fora, km 373.
Quem viesse do Rio pela Leopoldina, pela linha tronco de Caratinga, sairia de Barão de Mauá, RJ; passaria por Caxias, RJ; subiria a cremalheira de Petrópolis; e atingiria Três Rios — quase na divisa RJ/MG, onde o trem era partido em dois. Um pedaço iria para o ramal de Carangola, à direita; e o outro para o ramal de Caratinga, à esquerda.
Prosseguindo pela esquerda, o trem atingia Bicas, já no km 249. Aqui havia — há até hoje; mesmo sem trilhos; o material é transportado por caminhão! — uma importante oficina da estrada.
Descendo uma serra, estava o trem atingindo São João Nepomuceno; e mais um pouco, no km 296, chegava a Furtado de Campos, onde à esquerda saía o ramal de Juiz de Fora.
O trem seguia para Piraúba; Ligação — onde à esquerda recebia a linha que vinha de Recreio, passando por Cataguazes —; e chegava a Ubá, terra do compositor Ari Barroso, no km 356.
Adiante, mais uma grande oficina da Leopoldina, ativa até hoje: — São Geraldo, pé da serra do mesmo nome.
Esta subida era — é — um dos mais bonitos trechos ferroviários da Leopoldina. É uma subida de 30 km, passando até três vezes pelo mesmo local.
O trem seguia por Viçosa — onde existe uma importante universidade federal — e atingia Ponte Nova no km 496, à cota de 546 metros do nível do mar. Aqui era o ponto final de um ramal de bitola estreita da Central, vindo de Miguel Burnier e Belo Horizonte.
Indo à direita, o trem iria atingir Caratinga, no km 686.
Uma viagem assim levava mais de 2 dias, com muita roupa queimada de fuligem; ou, mais recentemente, muitos colarinhos pretos de fumaça de óleo.
Hoje, a maioria do traçado e dos ramais foram erradicados. A linha vem do Rio de Janeiro pelo antigo ramal da Central (ex-Melhoramentos); atinge Três Rios; segue à direita, até Além Paraíba; e logo depois, Recreio. Aqui inicia-se a Linha Transversal de Recreio, MG.
O ramal de Minas segue à esquerda, para atingir Ligação, passando por Cataguases, e daí até Ponte Nova, onde só existe a linha para Belo Horizonte, passando por Ouro Preto, Mariana, Miguel Burnier etc.
De Recreio, para a direita, segue o antigo ramal de Manhuaçu, até a entrada de Cisneiros, de onde — seguindo a antiga linha transversal de Campos — atinge Campos, RJ, onde encontra a linha Rio de Janeiro - Vitória, ES.
A maior parte da Leopoldina foi erradicada, a densidade de tráfego é baixa, alguns trechos só têm trem a cada 2 dias.
É o caso do trecho Cataguases a Ponte Nova, onde já se ouve falar em erradicação, "por não se justificar". O cargueiro que desce de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro vem até Recreio, estica até Campos, e daí, beirando o litoral, chega ao Rio. Isso porque o trecho montanhoso de Miguel Pereira, RJ, da antiga Central (ex-Melhoramentos) desgasta muito o flange das rodas das locomotivas — U-12B, às vezes U-20C —, ficando então sem tráfego por muitos dias.
Recentemente, o trecho de Cataguases foi escolhido por Antônio Ermírio de Moraes (grupo Votorantim) para transportar bauxita de sua mina em Barão de Camargo, Cataguases, até Barão de Angra, em Três Rios, RJ.
O trecho está passando por uma remodelagem, e os trens-unitários de cerca de 20 gôndolas levam a bauxita para ser baldeada para a bitola larga em Três Rios — de onde segue para São Paulo, onde baldeia novamente para a métrica da Fepasa, rumo a Sorocaba, onde fica a fábrica da Cia. Brasileira de Alumínio — CBA.
No trecho de Cataguases, são tracionados por locomotivas U-20C — especialmente deslocadas para este serviço — dois trens diários.
O que era a Leopoldina — ou o que sobrou — tornou-se a Divisão Operacional Campos (Docam); e hoje é a Superintendência Regional Campos, SR-8. Ou a "oitava", como chamam os ferroviários.
Ao lado — Hotel da estação de Porto Novo (Além Paraíba, MG), em 1988. Nos pilares de ferro lê-se "EF Pedro II". Aqui chegavam os trilhos da Central do Brasil e iniciavam-se os da Cia. de EF Leopoldina, e a partir de 14/jan/1898, Leopoldina Railway. Aqui, a linha foi inicialmente de bitola larga. Foto: Hugo Caramuru.
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