RFFSA - Rede Ferroviária Federal
O passeio das locomotivas GL-8
Sérgio Mártyre — Centro-Oeste n° 77 — 1°-Abr-1993
As GL-8 foram locomotivas diesel-elétricas construídas pela Electro-Motive
Division (EMD) da General Motors (GM), no período de 1960 a 1967.
Entre 60/Dez e 61/Ago, foram recebidas 69 unidades pelas ferrovias
brasileiras, destinadas principalmente às linhas férreas que não
permitiam o tráfego de locomotivas mais pesadas.
Tal medida já fora empregada com grande sucesso na RV Paraná–Santa
Catarina e na Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (CMEF), em suas
linhas então mal conservadas, e que tinham locomotivas do mesmo
tipo produzidas pela General Electric (GE) — as locos GE 70 toneladas
com rodagem C+C.
As GE 70 ton. já tinham comprovado a fama de ótimas para esse tipo
de linhas mal conservadas, com grande número de curvas de raio restrito,
ou desvios particulares em grande número — como os existentes na
Santos a Jundiaí, que também possuía esse tipo de locomotivas, porém
com rodagem B-B.
Em vista das facilidades de crédito oferecidas na época pela GM
— que estava tentando vencer a Alco, bem como a GE —, a Rede Ferroviária
Federal, a EF Sorocabana e a Cia. Mogiana escolheram para tal tipo
de linhas a recém-construída GL-8.
A Cia. Mogiana foi a primeira a receber 23 locomotivas, numeradas
de 51 a 73; numeração de chassis 2439-1 a 2439-23; e n° de construção
26081 a 26103; construídas em 60/Out.
Posteriormente — com a criação da Fepasa — foram renumeradas de
3616 a 3638.
A segunda ferrovia a receber as GL-8 foi a EF Sorocabana, com 15
unidades numeradas de 3601 a 3615; n° de chassis 2899-1 a 2899-15;
n° de construção 26450 a 26464; construídas em 61/Mar.
A Rede Ferroviária Federal (RFFSA) iniciou o recebimento das GL-8
pela RV Paraná–Santa Catarina, onde foram numeradas de 1401 a 1418
— e renumeradas para a série 801 a 818 ao tempo da 11ª Divisão —
Paraná–Santa Catarina.
Seguiram-se as da EF Leopoldina, numeradas de 2851 a 2858; e as
da EF Noroeste do Brasil (NoB), numeradas de 1001 a 1005.
As GL-8 da EF Leopoldina foram transferidas para a VF Centro Oeste
— onde conservaram a mesma numeração, porém ficaram pouco tempo.
Com o advento de grandes colheitas no Paraná e Rio Grande do Sul,
as locomotivas da Leopoldina foram transferidas para a 13ª Divisão
— Rio Grande do Sul, que as numerou de 6331 a 6336; e 2 seguiram
para a 11ª Divisão — Paraná–Santa Catarina, onde foram numeradas
821 e 820.
A 11ª Divisão — Paraná–Santa Catarina recebeu da Noroeste a loco
n° 1004, que tomou o número 819.
Na Noroeste, as locos n° 2853 / 54 / 56 foram renumeradas 1006
/ 07 / 08.
No Rio Grande do Sul — devido à necessidade de locos com melhor
potência —, trocou-se os truques A1A das G-12 para os B-B das GL-8
n° 801 a 803, que tinham sido transferidas da Paraná–Santa Catarina.
Receberam então os números 6141 a 6143.
Posteriormente foram renumeradas de 6321 a 6323.
As 804 a 818 foram para a 13ª Divisão — Rio Grande do Sul com a
numeração de 6304 a 6318; as locos n° 819 a 821 receberam os números
6303, 6301 e 6302; e as da Noroeste, n° 1001 a 1003 e 1005 a 1008,
receberam os números 6337 a 6340 e 6333 / 34 / 36 (ex-2853 / 54
/ 56).
Terminando o passeio das locomotivas GL-8, as n° 2853, 2854 e 2856
retornaram para sua casa de origem — a SR-2 Belo Horizonte —, em
época ainda a ser pesquisada, continuando com esta numeração até
o advento do Sigo.
Toda esta movimentação ocorreu num período em que as locos a vapor
estavam sendo erradicadas definitivamente das linhas comerciais
da RFFSA, e podemos batizá-la como o passeio das locomotivas — que
persistiu, com nova numeração, até o advento do sistema Sigo de
identificação de locomotivas.
Tal passeio não foi exclusivo das GL-8. Para nós, pesquisadores,
com a G-12 tal situação foi de calamidade, algumas delas recebendo
pelo menos 3 números, e sendo hoje quase impossível identificar
quem era quem, pois as placas de identificação dos fabricantes eram
— na maioria das vezes — colocadas aleatoriamente.
Na lista anexa, apresentamos novo conceito de identificação numérica
das locomotivas diesel construídas pela GM americana (EMD).
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