RFFSA - Rede Ferroviária Federal
Pinturas seguiram mudanças internas
Pesquisa:
Sérgio Pinho, José Emílio Buzelin, Alexandre
Santurian,
Luiz Sérgio de Souza e Flávio R. Cavalcanti
Texto: Flávio R Cavalcanti
Centro-Oeste n° 77 — 1°-Abr-1993
Não sou grande conhecedor da RFFSA, e muito menos das pinturas
que suas locomotivas tiveram ao longo das décadas.
O que se segue, não é uma informação exata sobre pinturas.
Quis apenas colocar alguma ordem nos fatos conhecidos — de modo
que os novos companheiros possam entendê-los mais fácil e rapidamente.
Agradeço quaisquer correções, acréscimos e — principalmente — artigos
que facilitem a vida do iniciante.
Fase Zero
Proponho chamar de fase zero, o momento anterior à criação da RFFSA.
Ou seja: — A pintura que cada ferrovia utilizava em seu material
rodante.
É lembrar o óbvio, de fato. Mas o óbvio é esquecido com freqüência.
As principais ferrovias incorporadas na RFFSA continuaram com seus
nomes anteriores.
Daí, a facilidade com que um modelista mais novo pode se confundir,
quando um veterano fala — por exemplo — na EF Central do Brasil,
ou na EF Santos a Jundiaí, ou na VF Rio Grande do Sul.
Antes da RFFSA, estas ferrovias não tinham quase nada em comum.
A EF Central do Brasil — antes da criação da RFFSA — teve suas
locomotivas pintadas na cor cereja com faixa cor gelo; teve uma
fase de pintura azul escura com faixa creme; e uma fase de pintura
azul escura e nariz amarelo.
A EF Santos a Jundiaí — antes da criação da RFFSA —, utilizava
uma pintura marrom-avermelhada com friso prateado.
A VF Rio Grande do Sul — antes da RFFSA — utilizou uma pintura
vermelha, laranja e amarela incrivelmente parecida com a da EF Araraquara.
E assim por diante.
Fase 1
Uma vez criada a RFFSA, algumas coisas começaram a ser padronizadas.
Naturalmente, isso demorou algum tempo, maior ou menor.
A EF Central do Brasil continuou sendo EF Central do Brasil, a
EF Santos a Jundiaí continuou sendo EF Santos a Jundiaí, e a VF
Rio Grande do Sul continuou sendo VF Rio Grande do Sul — mas agora,
a pintura das locomotivas elétricas e diesel-elétricas passou a
ser vermelha com faixas ou listas amarelas, num padrão único de
norte a sul.
Um aspecto interessante, é que as ferrovias conservaram seus logotipos
— como o losango da EFSJ, as letras entrelaçadas da NoB etc. —,
convivendo com as iniciais sóbrias da RFFSA.
Fase 2
Na segunda fase da RFFSA — criação dos Sistemas Regionais, com
suas 14 Divisões —, deixam de existir as EF e as VF. O que era EF
Central do Brasil, tornou-se apenas 6ª Divisão - Central. O que
era VF Centro Oeste, tornou-se apenas 5ª Divisão - Centro-Oeste.
Esta é a fase em que as iniciais da RFFSA aparecem com destaque
— e logo embaixo, em letras menores, os nomes das divisões Central,
ou Santos a Jundiaí, ou Centro-Oeste etc.
Fase 3
Nesta fase, a RFFSA passa a organizar-se em Superintendências Regionais
— da SR-1 até a SR-6.
Somente após nove anos, entra em vigor o Sistema
de Gerenciamento Operacional (Sigo), com a numeração computadorizada,
dígito verificador e letra final indicadora da SR. Este sistema
de identificação foi descrito em detalhes no CO-72.
Portanto, esta fase de pintura — que no CO-73 Márcio Hipólito chama
de "Anos 80" — surgiu bem depois da criação das SRs.
As mudanças são pequenas: — O logotipo da Rede e o número da loco,
substituem o nome da antiga divisão, logo embaixo das iniciais RFFSA.
Fase 4?
No CO-73, Márcio Hipólito relata o surgimento de um novo esquema
de pintura, no caso da English Electric 9006-1 da SR-4.
A pintura geral continua a mesma das fases 2 e 3, exceto que o
n° 9006 — sem o dígito verificador 1 — aparece em letras garrafais
na lateral da cabine, interrompendo a faixa amarela.
No centro da lateral, o logotipo da Rede pula para cima — ao lado
das iniciais RFFSA —, e embaixo desse conjunto surge, por extenso,
o número 909006-1I.
Este 90 adicional — na frente do 9006 — é um componente que já
existia nos computadores do Sigo, embora jamais escrito em uma locomotiva.
Com este 90, o número atinge os seis dígitos necessários para o
computador calcular o dígito verificador. No CO-73, há uma rotina
em dBase para você fazer isso em seu microcomputador PC.
Outra novidade é que, além da letra I — que designa a SR-4 —, agora
também consta por extenso a SR-4.
Ignoro se esta pintura da n° 9006 irá se generalizar, tornando-se
uma fase em toda a RFFSA.
As fases da RFFSA desde 1957
Conhecer as fases de pintura da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA)
é muito útil, para ambientar as locomotivas, carros e vagões numa
mini-ferrovia, dentro de uma época escolhida.
Não existe dificuldade insuperável. Muitos artigos publicados no
Informativo Frateschi (IF), Revista Brasileira de Ferreomodelismo
(RBF), Revista Ferroviária (RF), Esporte Modelismo (EM) e Centro-Oeste,
mostraram as fases de pintura da RFFSA.
Fotos e desenhos esquemáticos têm sido publicados. Muitas plantas
e fotos que os modelistras trocam entre si, indicam os detalhes.
Decais LAF têm fornecido as inscrições e logotipos necessários,
juntamente com instruções adicionais para orientá-lo. O catálogo
da Frateschi — nunca jogue fora uma versão antiga — pode ser útil.
Note que, quando dizemos pintura, não estamos falando só das cores,
e de sua disposição.
Também nos referimos às inscrições, logotipo, e sua localização
— que às vezes, são só o que muda de uma pintura para outra.
As fases de pintura seguem — com algum atraso — as mudanças ocorridas
na organização burocrática da RFFSA.