O que se delineia nesse texto é todo um
plano ferroviário (cujo desenho final Nascimento Brito não conseguiu
encontrar), seu estudo, e já o início de sua realização
parcial.
a) abre um crédito de 20.000:000$ para
o prolongamento da EF D. Pedro II;
b) autoriza contratar o resgate das estradas de
ferro de Recife ao São Francisco; de Salvador a Juazeiro;
e de São Paulo (SPRy); e
c) manda estudar o sistema completo de viação
e levantar a carta itinerária do Império, aplicando
para este fim, no primeiro ano, a quantia de 200:000$.
1871 - Planos Ferroviários Cadê o plano que estava aqui...
... e que custou 100 mil contos de réis
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O Imperio do Brazil na Exposição Universal de 1876
em Philadelphia
Rio de Janeiro, Typographia Nacional, (1875?), (autor?), p. 339-378
Estradas de ferro
O governo continúa a promover, por todos os meios a seu
alcance, a construcção de estradas de ferro.
N’este proposito, incumbiu uma commissão
de engenheiros nacionaes e estrangeiros [Manoel
Buarque de Macedo, Guilherme Schurch Capanema e João Nunes
Campos: todos brasileiros], que iniciou seus trabalhos, na
provincia de S.-Pedro-do-Rio-Grande-do-Sul, de estudar
o systema geral da viação do Imperio, e obteve
do Poder-Legislativo autorização para, até
o maximo de 100.000:000$000, garantir, durante 30 annos, juros de
7% ao anno, ou afiançar a garantia provincial aos capitaes
empenhados, nas estradas de ferro das provincias que, por seus planos,
e estatistica, tiverem probabilidades de obter renda liquida annual
de 4% [grifo do site]
podendo, em vez da garantia, conceder subsidio kilometrico.
A commissão deverá levantar a carta
itineraria do Brazil, representando as estradas, e caminhos
existentes, e os que devam ser construidos de accordo com o systema
geral, o qual referir-se-ha a triangulos geodesicos de 1ª,
2ª ordem, de sorte que fique, perfeitamente, determinada a
posição das estradas projectadas.
Para mais rapida execução d’este interessante trabalho,
foi dividido o territorio nacional, em 24 zônas, discriminando-se
a parte povoada, em que, apenas, é necessario aperfeiçoar
os caminhos actuaes, da que carece ser melhor estudada.
D’aquella autorização legislativa já o governo
usou, largamente, tendo concedido garantia de juros de 7% ao anno,
ou afiançado a garantia provincial, a capitaes, na importancia
de 80.750:000$000, destinados ás estradas de ferro, em construcção,
ou apenas projectadas, que, melhor preenchem as condições
da lei.
De todos os ramos da industria de transporte é o das estradas
de ferro, que, n’estes ultimos annos, tem recebido, no Brazil, maior
impulso.
Em 1867, o Imperio contava, somente, seis caminhos construidos
por este systema, com o desenvolvimento total de 683 kil.m 300.m;
em 1872, elevaram-se a 15 com 1.026 kil.m 596.m; e, actualmente,
possue 22 linhas, em trafego, com a extensão de 1.660 kil.m
110.m, 16 em construcção, com a de 1.362 kil.m, e
28, em estudos, com a de 6.531. Este resultado representa a média
annual de 138 kil.m de linha ferrea construidos depois d’aquella
data.
Os auxilios concedidos a estes meios aperfeiçoados de communicação,
nas provincias, não têm prejudicado os trabalhos de
prolongamento das estradas de ferro geraes.
Continuam elles, com a conveniente acceleração, na
de D.-Pedro-II; e, já concluidos
os estudos para o prolongamento das estradas de ferro da Bahia,
e do Recife; aquelles, na extensão
de 556 kil.m 232.m, e estes na de 618 kil.m 600.m, trata-se de construil-as
tendo-se, para esse fim, recebido propostas, mediante concurrencia,
em virtude da qual foram adjudicados 324 kil.m da primeira d’estas
estradas, á razão de 26:600$000 por kilometro, para
a preparação do leito.
Terminaram, tambem, os estudos feitos por conta do governo, para
a construcção da estrada de ferro estrategica, e commercial,
autorizada pelo Poder-Legislativo, entre as cidades de Porto-Alegre,
capital da provincia de S.-Pedro-do-Rio-Grande-do-Sul, e de Uruguayana,
fronteira da Confederação Argentina, com o desenvolvimento
de 722 kil.m, e os da linha ferrea, destinada aos mesmos fins, entre
a cidade de Coritiba, capital da
provincia do Paraná, e Miranda,
na de Mato-Grosso, com o de 852 kil.m 229.m
É, n’este genero, um dos trabalhos mais completos. Por elles,
entre outras cousas interessantes, descobrem-se logo, á primeira
vista, as immensas riquezas de toda a sorte que, em tão larga
extensão, possue o Brazil, ainda por aproveitar.
Quando esta estrada se realisar, a communicação
entre a cidade do Rio-de-Janeiro, e de Cuyabá, capital
da provincia de Mato-Grosso, se fará em sete a 10 dias ao
passo que, presentemente, por via de Buenos-Ayres, não póde
ser realisada, em menos de 30 a 40. Poder-se-ha, outro-sim, ir do
Rio-de-Janeiro á fronteira setemptrional do Paraguay em cinco
dias, e a Chuqizaca, na Bolivia, em 12.
Acham-se, quasi, terminados os estudos definitivos para o prolongamento
da estrada de ferro de Santos a Jundiahy, aberta ao trafego
até perto da cidade de Limeira, e em adiantada construcção
para a cidade de S.-João-do-Rio-Claro. Estes estudos têm
660 kil.m de extensão, d’essa cidade até Santa-Anna-de-Paranahyba
á margem do rio Paraná, que limita a provincia de
S.-Paulo com a de Goyaz [verificar se naquele
momento Santana do Paranaíba era Goiás].
Estão concluidos os trabalhos de exploração,
e estudos da primeira parte da estrada de
ferro do sul ao norte do Imperio, a qual ligada á
estrada de ferro D.-Pedro-II, pela navegação
do S.-Francisco, e á cidade
de Belém-do-Pará, pelo aproveitamento da linha fluvial
do Tocantins, porá a capital
do Imperio, em communicação rapida, com muitas das
provincias de seu extremo norte.
Tambem estão em andamento as explorações,
e os estudos para a linha ferrea entre as cidades do Rio-Grande,
e Alegrete, na provincia de S.-Pedro-do-Rio-Grande-do-Sul.
O numero de kilometros estudados, depois
do anno de 1867, para serem aproveitados na viação
ferrea, eleva-se a cerca de 2.796, e as despezas, effectivamente,
realisadas pelo Estado, com estes trabalhos, á somma de 2.131:226$271.
Além d’isto, a ultima lei do orçamento votou a quantia
de 1.650:000$000, para os estudos da estrada de ferro de Coritiba
a Miranda, já terminados, e dos que se estão
concluindo, para a estrada do sul ao norte
do Imperio.
A viação ferrea tem realisado, no Brazil, como por
toda a parte, as esperanças n’ella depositadas, quer como
emprezas mercantis, quer como agentes poderosos de civilização,
e progresso, sendo notaveis, n’este ultimo ponto, os melhoramentos
introduzidos nas povoações do interior.
As vantagens commerciaes, que tem produzido, melhor se deduzirão
da resumida noticia, que, sobre cada uma, passa a ser dada.
Estradas de ferro geraes
Estrada de ferro D.-Pedro-II. — Esta via
ferrea é, sem contestação, a principal do Brazil,
pelos grandes interesses, que promove, e por ser o
tronco do systema actual de sua viação aperfeiçoada.
(...) parte do norte da provincia de S.-Paulo, onde terá
de ligar-se, brevemente, á estrada de ferro de Santos a Jundiahy
por meio da linha ferrea, que está construindo uma empreza
nacional, auxiliada pelo governo geral, e provincial; (...) e finalmente,
prolonga-se pela provincia de Minas-Geraes, em
direcção á bacia do S.-Francisco, onde
a navegação d’este rio, e de alguns de seus poderosos
tributarios a communicará com o interior de muitas provincias.
(...) A lei do orçamento vigente autorizou a despeza, nos
exercicios de 1874-15, e 1875-76, de 9.528:811$000, para o seu prolongamento.
(...) [descrição
das linhas, receita, movimento]
Com tão extenso, e pesado trafego, a estrada de ferro D.-Pedro-II
não devia estar á mercê da industria estrangeira,
para a acquisição do material preciso (...)
(...) [descrição
das oficinas]
Estrada de ferro de Santos a Jundiahy.
— (...) Está realisando seu prolongamento, e aberto ao trafego
até a cidade da Limeira, contando, portanto, mais 99 kil.m,
e, graças aos intelligentes esforços e á perseverante
actividade dos filhos da provincia, brevemente serão vencidos
os 35 kil.m, que, ainda, separam esta cidade da de S.-João-do-Rio-Claro,
estando muito adiantados os trabalhos de construcção.
Dentro de pouco tempo devem começar, tambem, as obras para
o seguimento até Santa-Anna,
no rio Paraná, que divide esta provincia da de Goyaz
[ver se município era goiano
naquele momento].
(...)
Estrada de ferro do Recife ao S.-Francisco.
— (...) cuja extensão é, actualmente, de 124 kil.m
900.m, com a bitola de 1,m60, tem de ser prolongada em direcção
á Boa-Vista, na margem do rio de S.-Francisco,
estando concluidos os estudos definitivos dos 618 kil.m, que a separam
d’aquelle ponto.
A bitola para o prolongamento será de 1.m, e sua construcção
está orçada em 47.855:848$016, ou 77:361$539, por
kilometro. Abriu-se concurrencia, e receberam-se propostas para
a construcção, que tem de correr por conta dos cofres
publicos. (...)
O prolongamento aproveitará a ferteis terrenos algodoeiros,
e regiões favoraveis á immigração,
pela amenidade do clima, e uberdade do solo, adaptavel á
cultura de cereaes, e de outros generos.
(...)
Estrada de ferro da Bahia ao Joazeiro.
— (...)
Construida com a bitola de 1,m60, tem de extensão 123 kil.m
500m, entre a capital da provincia, e a estação terminal,
em Alagoinhas.
Concluidos os estudos definitivos, para o prolongamento até
a villa do Joazeiro, com um ramal para o logar denominado Riacho-da-Casa-Nova,
ambos na margem direita do rio de S.-Francisco,
acaba o governo de contratar, mediante concurrencia, sua construcção,
com a bitola de 1m.
Os estudos abrangeram a extensão de 556 kil.m 232.m e as
obras orçadas em 36.100:000$000 foram adjudicadas por 26:000$000
o kilometro, comprehendendo só a preparação
do leito. O governo fornecerá, directamente, o material fixo,
e rodante.
(...)
Como empreza commercial não offerece, por ora, grande interesse;
tudo, porém, induz a crer que, attingindo seu prolongamento
as margens do uberrimo S.-Francisco, sua situação
melhorará muito.
(...)
A estrada de ferro de Piranhas a Jatobá
tem a extensão de 104 kil.m, e destina-se a ligar o alto
ao baixo S.-Francisco, tornando mais aproveitaveis cerca de 1.848
kil.m, de franca navegação, logo que se effectuem
alguns melhoramentos projectados, no mesmo rio.
O capital, para esta estrada, da bitola de 1.m, foi orçado
em 1.435:000$000, segundo os estudos feitos, por conta do Estado.
Está sujeito ao Poder-Legislativo projecto de lei, concedendo
garantia de juros aos capitaes necessarios á construcção
da estrada, e ao melhoramento do rio.
(...) [Leopoldina;
Rezende a Arêas; Paraguaçu (bitola 1,m1)]
Estrada de ferro do Madeira. — Esta via
ferrea, cuja extensão é calculada em cerca de 330
kil.m, tem por fim evitar as cachoeiras dos rios Madeira, e Mamoré,
ligando sua navegação á do Beni; Guaporé,
e outros, o que dará á grande parte da provincia de
Mato-Grosso, e ao commercio de importante região da republica
da Bolivia, facil communicação, com o oceano.
A povoação de Santo-Antonio, na margem direita do
Madeira, deve ser o ponto inicial d’esta estrada, que terminará
acima da quéda do Guajará-mirim, ramificando-se para
a fóz do Beni.
O governo concedeu 4.356 kil.m quadrados de terras á empreza,
actualmente, propriedade de uma companhia ingleza, que aguarda do
Poder-Legislativo garantia de juro de 7% ao anno, sobre a quantia
de £ 400.000, para completar o capital de £ 1.000.000,
que se presume sufficiente, para a continuação dos
trabalhos.
Estrada de ferro D.-Pedro-I. — Em virtude
de autorização legislativa foi concedida a empreza
particular esta linha ferrea, de 384 kil.m, que deverá ligar
as provincias de Santa-Catharina, e de S.-Pedro-do-Rio-Grande-do-Sul,
dando á esta ultima porto maritimo mais commodo, e seguro.
(...) [Dona-Thereza-Christina]
A estrada de ferro D.-Izabel, entre o porto
de Antonina, e a capital da provincia do Paraná, com a extensão
de 83 kil.m, e orçada em 4.400:000$000, está em estudos
definitivos, tendo a provincia garantido o juro de 7% ao anno, sobre
aquella somma.
A estrada de ferro Conde-d’-Eu, importante
via de communicação da provincia da Parahyba, com
143 kil.m de extensão, corta a parte mais rica da mesma provincia,
conforme demonstraram os estudos feitos, para sua construcção
orçada em 6.000:000$000, com a bitola de 1m, que deve começar,
dentro de poucos mezes. (...)
(...) [Do Rio-Verde,
Itabaiana a Alagoinhas (BA-AL), S.-João-Nepomuceno, EFDPII-Itajubá]
Estradas de ferro provinciaes
(...)
Maranhão
Estão projectadas, n’esta provincia, as seguintes estradas
de ferro:
Da Barra-do-Corda, entre o logar d’este
nome, na margem direita do rio Mearim, e a cidade da Carolina[rio Tocantins], com o desenvolvimento
de 666 kil.m orçada em 23.000:000$000, e devendo ter a bitola
de 1m.
Acha-se, ainda, em estudos.
Da cidade de S.-Luiz, capital da provincia,
á margem do rio Mearim, com 230 kil.m de extensão;
fundo social orçado em 10.000:000$000, e bitola de 1m. Acha-se,
egualmente, em estudos, e, si for levada a effeito, será
complementar da precedente.
De S.-José-dos-Cajazeiros, para
communicação entre aquella capital, e a do Piauhy,
á margem do rio Parnahyba,
tem 68 kil.m 600.m, e estudos concluidos, tendo sido orçada
em 3.280:000$000.
Piauhy
Está projectada, n’esta provincia, uma estrada de ferro
de Oeiras, antiga capital da provincia,
á villa de Amarante, na margem do rio Parnahyba,
com cerca de 140 kil.m de desenvolvimento, comprehendendo um ramal
para a villa de Valença.
A bitola da estrada deve ser de 1m, e o capital de 7.000:000$000.
Ceará
Está-se construindo a estrada de ferro da capital ao logar
conhecido pelo nome de Baturité,
grande centro productor da provincia, com 100 kil.m de extensão,
41 dos quaes em trafego (...)
É uma das estradas mais esperançosas do norte do
Imperio, e seu prolongamento até
o rio de S.-Francisco foi, ultimamente, autorizado por lei
provincial [Ceará, ou Pernambuco?].
(...)
(...) [Rio-Grande-do-Norte:
(...) Ambas atravessam uberrimos terrenos de cultura, principalmente
para a canna de assucar]
(...) [Alagôas,
Sergipe, Bahia]
Espirito-Santo
(...)
A estrada de ferro da Victoria ao porto
da Natividade, no Rio-Doce destinada a ligar o Espirito-Santo
á provincia de Minas-Geraes; aproveitar, para a colonização,
terras fertilissimas, e dar á provincia facil sahida a importantes
productos, que, pela distancia, não podem chegar, sem excessivos
onus, aos grandes mercados.
Deverá ter 135 kil.m, cuja construcção está
orçada em 6.000:000$000, sobre os quaes a provincia garantiu
juro de 7% ao anno.
O governo geral afiançou parte d’essa garantia, no valor
de 1.600:000$000, correspondentes aos 46 kil.m, entre a capital
da provincia, e a colonia de Santa-Leopoldina, dos quaes ha estudos
completos.
(...) [Rio de Janeiro]
(...) [Minas Gerais,
inclusive: do rio das Mortes; Montes Claros ao SF; das Velhas a
Diamantina]
S.-Paulo
(...)
Paraná
Está contratada, n’esta provincia, uma estrada de ferro
com a extensão de 109 kil.m, e bitola de 1.m, entre o porto
denominado D.-Pedro-II, na bahia de Paranaguá,
e a cidade de Coritiba, capital da
provincia (...). Estão concluidos os estudos d’uma parte
d’ella, e aguarda-se a terminação dos outros.